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LIDERANÇA – Escolhas certas e pessoas certas

Algumas orientações para nossa vida que envolvem escolhas e pessoas certas. A Carta do Apóstolo Paulo “2a Timóteo 4:6-18″ são as últimas palavras, da última carta do Apóstolo Paulo ao jovem líder Timóteo. Por volta do ano 64 – 68 d.C., Paulo estava preso, já havia passado por uma audiência preliminar e sabia que sua carreira estava chegando ao fim. As orientações e conselhos deste “velho guerreiro” pouco antes de sua execução são preciosas aos líderes de hoje. Devemos fazer as escolhas certas hoje para não nos arrependermos amanhã. Especialmente, precisamos escolher as pessoas certas para caminhar conosco na nossa carreira cristã.

Paulo faz uma revisão de vida no final de sua carreira, e fala sobre as pessoas que caminharam com ele. Por um lado, ele busca se reaproximar de Marcos enquanto que por outro lado ele faz advertências a cerca de Alexandre. Assim, precisamos saber quem são os “Marcos” e os “Alexandres” em nossa carreira cristã. Finalmente Paulo ressalta que: 1. Combateu o bom combate. 2. Completou a carreira. 3. Guardou a fé. Assista este vídeo e faça sua revisão de vida para completar a sua carreira cristã.

LIDERANÇA “CARÁTER X REPUTAÇÃO”

QUEM REALMENTE SOMOS? É a pergunta que devemos fazer a nós mesmos. Nesta mensagem vemos a diferença entre “Caráter x Reputação”. Enquanto reputação é o que as pessoas dizem a nosso respeito, caráter é o que Deus diz a nosso respeito. A bíblia diz: •porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.”  (1a Samuel 16:7) Deus fala esta verdade em um contexto de vocação para liderança e se aplica de maneira relevante aos líderes da atualidade. Assista esta reflexão Bíblica: Leita também alguns estudos voltados para liderança no CECALI – Centro de Capacitação de Liderança da IP Vila Alpes “Formação de um grande líder” um estudo sobre o chamado de Deus para Moisés, além de outros artigos, reflexões e mensagens de vários autores.

Entre Cavernas e Tronos – A sina de todos os pastores

“Cavernas não são o lugar ideal para levantar o moral. Escura. Molhada. Fria. Mal cheirosa…
uma caverna se torna ainda pior quando você está sozinho. Mas no fundo daquela caverna, Davi,
enquanto rimava cada nota com uma lágrima, tornou-se o maior encorajador de corações quebrantados que este mundo jamais conheceu”. Um Conto de Três Reis – Um Estudo sobre Quebrantamento

Gene Edwards

Ora no trono, ora na caverna. Esta parece ser a terrível sina do ministério pastoral.
No trono, há o poder, a honra, o reconhecimento e a indisfarçável sensação que chegamos lá onde queríamos desde o ínicio; o nosso destino apelidado de vocação encontra seu pedestal.
Na caverna, há o medo, a solidão, o questionamento e a irresistível certeza que perdemos o rumo traçado desde o começo; a nossa vocação renomeada destino encontra seu túmulo.
Parece não haver meio termo, equilíbrio, constância. Dos pratos largos da crise e do sucesso servimo-nos de grandes porções e a grandes goles bebemos ora do vinho da fama, ora do vinagre do fracasso. Tudo parece exagerado: nos embriagamos no vinho do sucesso e destilamos arrogância e auto-suficiência e, algumas vezes, nos envenenamos no vinagre da derrota e vomitamos angústia e desolação.
Quem nunca esteve no trono e na caverna? Não ao mesmo tempo, por certo, mas quase imediatamente um após o outro, sem importar a ordem dos fatores, embora verdadeiro seja Salomão ao dizer que “o orgulho precede a queda”, fazendo a sala do trono a ante-sala da caverna.
No “Depósito das Vocações Desconhecidas” há sempre dois elemntos da mesma multiforme natureza dAquele que chama:
O seu poder para subjugar exércitos, envergonhar os inimigos e cumprir a vontade de Deus na terra. Quem recebe uma larga porção de tal poder, certamente será conhecido na terra por muitos. Seu verdadeiro caráter será conhecido, isto é, revelado por tal poder, pois tem a capacidade de mesmo tocando o exterior das pessoas, manifestar o que há de melhor ou pior no mais profundo de suas almas.
A segunda face é mais uma herança do que um presente que se recebe. O presente frequentemente é usado naquela parte do homem que todos podem ver, mas tal herança é plantado lá dentro como uma semente, que cresce e enche todo o homem de dentro para fora. Verdadeiramente, eis aí o único elemento no universo conhecido por Deus e pelos anjos que pode mudar um coração humano: a graça.
O primeiro elemento é costumaz frequentador da sala do trono, pois se alimenta daqueles sentimentos que proliferam no nosso coração quando sentamos no trono. O segundo só se revela na solidão das cavernas, porque inspirando suspiros confinados é capaz de exalar sopros renovados.
A verdade, todavia, é que Deus não nos chamou para nos escondermos em cavernas, nem para reinarmos em tronos. Entre o trono e a caverna é que encontramos o nosso habitat e a nossa realização vocacional. No altar da oração, nas páginas da palavra, na mesa da comunhão e nas ruas do serviço podemos fugir do tentador magnetismo do trono e nos libertar das espessas teias da caverna; não são estes que chamamos “meios de graça”?
Seja no trono ou na caverna o lugar onde você está, saiba, companheiro, que não está sozinho. Há milhares de testemunhas vivas e mortas, terrenas e celestiais, que antecipam o momento em que você sairá do trono ou da caverna para, mais uma vez, dizer: “Sim, Senhor. Eis-me aqui. Envia-me a mim”.
Aí, então, o milagre acontecerá de novo: o Deus que tudo pode e de ninguém precisa lhe revestirá do poder que só o trono parecia lhe oferecer e da graça que só a caverna parecia ter. 

Robinson G. Monteiro

Igreja: Barco de Prazeres ou Bote salva-vidas?

Este vídeo nos faz refletir sobre o principal propósito da igreja. Sabemos que a igreja corre o sério risco de se perder no meio do caminho, ou no máximo, como mostra este vídeo, ela estar sempre se preparando para cumprir seu propósito, mas nunca cumprí-lo de fato! Assita este vídeo e seja motivado a continuar despertando a igreja para a sua missão suprema, pois a Igreja de Jesus Cristo não é um Barco de Prazeres, e sim, um Bote Salva-Vidas.

Fonte: Este vídeo é um trecho de um dos filmes da série Full Flame: Acendendo sua paixão pelos perdidos! São 8 filmes com material para estudo. Acesse e conheça: www.fullflame.net Os vídeos também se encontram na internet em várias línguas:

http://video.google.com/videoplay?docid=-7945138045913570814#

Assista também uma mensagem desafiadora sobre este tema baseada na 2a Carta de Paulo aos Coríntios Cap. 3 “Igreja: A Carta de Cristo Escrita para o Mundo” neste mesmo blog: http://ecasolli.wordpress.com/2010/09/08/igreja-a-carta-de-cristo-para-o-mundo/

A FORMAÇÃO DE UM GRANDE LÍDER

“A FORMAÇÃO DE UM GRANDE LÍDER” - Como Deus Prepara um Pastor – Estudo biográfico sobre a vida de Moisés – Atos 7:20-36” Pr. Edgard Casolli Neto Pregado durante o Culto Gratidão pelos Pastores Jubilados – Igreja Presbiteriana Vila Alpes – São Carlos

 

1. TEXTO: Atos dos Apóstolos 7:20-36

20  Por esse tempo, nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Por três meses, foi ele mantido na casa de seu pai;21  quando foi exposto, a filha de Faraó o recolheu e criou como seu próprio filho.22  E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.23  Quando completou quarenta anos, veio-lhe a idéia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel.24  Vendo um homem tratado injustamente, tomou-lhe a defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio.25  Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam.26  No dia seguinte, aproximou-se de uns que brigavam e procurou reconduzi-los à paz, dizendo: Homens, vós sois irmãos; por que vos ofendeis uns aos outros?27  Mas o que agredia o próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?28  Acaso, queres matar-me, como fizeste ontem ao egípcio?29  A estas palavras Moisés fugiu e tornou-se peregrino na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.30  Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe, no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia.31  Moisés, porém, diante daquela visão, ficou maravilhado e, aproximando-se para observar, ouviu-se a voz do Senhor:32  Eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Moisés, tremendo de medo, não ousava contemplá-la.33  Disse-lhe o Senhor: Tira a sandália dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.34  Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá-lo. Vem agora, e eu te enviarei ao Egito.35  A este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça.36 Este os tirou, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.

2. INTRODUÇÃO:

“Imaginemos que um exército tenha enviado várias cartas, convocando os homens de seu país para uma guerra. E uma destas cartas foi extraviada e acabou ficando perdida por algumas décadas em algum depósito do correio ou coisa parecida.

Passados muitos anos, reencontraram esta carta e a enviaram para o seu destinatário. Aquele homem que ficou sem receber esta carta na época da convocação, ainda se encontra no mesmo endereço, no entanto, como muitos anos se passaram, naturalmente que ele já não é mais aquele jovem, cujo vigor é exigido para uma grande missão.

Agora ele está com os seus oitenta anos e consequentemente, carrega consigo todas as dificuldades e limitações que os seus oitenta anos de vida lhe acrescentaram.

Imaginemos agora esta pessoa recebendo esta carta. Qual seria a sensação deste homem ao abrir esta carta e ler a convocação que lhe é feita?

Pense agora em Moisés, lembre-se que este grande líder foi chamado por Deus para uma grande missão quando tinha exatamente oitenta anos, já havia vivido dois terços de sua vida, pois todos os anos de sua vida foram cerca de 120 anos. Podemos imaginar o que passava no coração de Moisés ao receber esta convocação?”

Esta ilustração enfatiza o chamado de Moisés e a possível impressão que ele teve, ao ser convocado para libertar o povo de Israel. Alguns intitulam esta convocação de Moisés como um “chamado tardio”. Mas esta avaliação não poderia ser correta, pois a convocação de Deus não se extraviou, como na ilustração acima, mas ela chegou na hora exata, no momento de Deus, que certamente é o melhor. No momento em que Moisés de fato estava pronto para cumprir aquilo que Deus lhe havia preparado.

Como sabemos, Moisés foi um grande líder. De fato, foi aos oitenta anos de idade que ele recebeu o chamado de Deus para ser um grande líder. O chamado é uma fase muito importante na vida de um líder, uma parte essencial. Mas o chamado não é tudo. É importante lembrar-mos que Deus prepara aquele a quem chama. Um estudo biográfico deste grande líder nos revelará que Deus já estava preparando e formando Moisés para ser um grande líder, muito antes do que podemos imaginar.

Veremos que não foi por acaso que Deus chamou Moisés apenas depois de terem se passado dois terços da sua vida.

3. CONTEXTUALIZAÇÃO:

O texto que acabamos de ler no livro de Atos dos Apóstolos, Lucas, o autor deste livro, narra o famoso sermão que o diácono Estevão proferiu no Sinédrio, diante de todos os que o acusavam de proferir blasfêmias contra Moisés e contra Deus.

No capítulo anterior, temos o registro da instituição dos diáconos, onde os doze apóstolos convocaram a comunidade dos discípulos e lhes pediram que escolhessem dentre eles, “sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Atos 6:3), para que estes servissem ás mesas.

Dentre estes homens que foram escolhidos pela comunidade, há um destaque especial para Estevão, com a observação de ser ele um homem “cheio de fé e do Espírito Santo” (v.5).

No entanto, as virtudes de Estevão incomodavam alguns da sinagoga, pois nos é dito que “Estevão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.” (v.8). E por isso se levantaram alguns dos que eram da sinagoga para discutir com Estevão, porém “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava.” (v.10). Sendo assim,  subornaram alguns homens para que dissessem ter ouvido Estevão proferir “blasfêmias contra Moisés e contra Deus” (v.11).

Finalmente “sublevaram o povo, os anciãos e os escribas e, investindo, o arrebataram, levando-o ao Sinédrio.” (v.12). No Sinédrio[1] o sumo sacerdote lhe indagou se de fato isto era verdade, ao que Estevão lhe respondeu proferindo este famoso sermão que percorre todo o cap.7 do livro dos Atos dos Apóstolos.  Este sermão enfureceu de tal forma aqueles homens, que ao terminar de proferi-lo, eles arremeteram contra Estevão e lançando-o fora da cidade o apedrejaram até a morte, dando início assim a primeira e grande perseguição da Igreja primitiva.

Naturalmente que o propósito do seu sermão não era o de fazer uma biografia da vida de Moisés, mas ao começar por Abraão, ele discorre por todos os patriarcas mostrando o pacto que Deus havia feito com eles,  e dando um destaque na escravidão que o povo de Israel passou no Egito, Estevão lembra que o povo de Israel estava sendo “forçado a enjeitar seus filhos para que não sobrevivessem.” (v.19). E que neste tempo “nasce Moisés, que era formoso aos olhos de Deus”. (v.20). Sendo que à Moisés, Estevão dá maior destaque, dividindo a descrição da sua vida em três fases de quarenta anos:

1)    Na primeira fase (v. 20 a 23), em seus primeiros quarenta anos de vida, Moisés foi criado pela filha de Faraó, e nos é dito que ele foi educado em toda a ciência dos egípcios.

2)    Na segunda fase de sua vida (v.23 a 34), seus segundos “quarenta anos de vida”. Estevão nos lembra que após Moisés ter matado um egípcio que oprimia um hebreu, ele foge e torna-se “peregrino na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.” (v.29). Esta segunda fase da sua vida, se encerra com o seu chamado para retornar à terra do Egito e libertar o povo de Israel. Pois lemos: Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe, no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia.”(v.30). E o Senhor lhe diz: “Vem agora, e eu te enviarei ao Egito”(v.34)

3) Finalmente, a terceira fase da vida de Moisés é relatada (v.35, 36). Onde Moisés  de fato retorna ao Egito e liberta o povo de Israel “fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.”v.36

Como podemos perceber, temos no sermão de Estevão as três fases da vida de Moisés,

sendo que cada uma destas três fases dura cerca de quarenta anos. Estevão continua este sermão até o v.53, e ainda fala de Moisés nestes versos. O propósito de Estevão ao proferir este sermão era o de convencer seus primeiros ouvintes de que o mesmo Moisés já havia predito que Deus suscitaria um profeta, pois os lembra daquilo que Moisés havia dito no passado: “Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim.” v.37 Assim, cheio de fé e do Espírito Santo, Estevão ainda lembra os seus ouvintes de que, os seus primeiros pais haviam desobedecido ás palavras de Moisés. E passando ainda por Josué, Davi e Salomão, com muita ousadia Estevão conclui seu sermão dizendo a todo Sinédrio:

“Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis aoEspírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetasvossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vindado Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes alei por ministério de anjos e não a guardastes.” (v.51 a 53)

De fato, como já dissemos, o propósito de Estevão ao proferir este sermão, começando pelo patriarca Abraão, era o de mostrar aos seus primeiros ouvintes quem era o nosso Senhor Jesus Cristo, e convencê-los de que assim como seus primeiros pais resistiram ao Espírito Santo no passado (ao matarem os profetas que anteriormente lhes havia anunciado a vinda do Justo), eles também resistiam ao mesmo Espírito Santo ao se tornarem traidores e assassinos de Jesus Cristo, o Justo.

Ficando claro isto, tomo a liberdade de me utilizar da brilhante exposição que Estevão faz da vida de Moisés, para a partir disto, expor um sermão biográfico deste grande líder que foi Moisés. Veremos a sua formação, tanto teórica e intelectual,  como também a sua formação prática e pastoral, para que finalmente possamos ver um pouco do exercício da sua liderança. Sendo assim, tratarei nesta hora do seguinte tema:

4. TEMA: A FORMAÇÃO DE UM GRANDE LÍDER

5. DIVISÕES:

5.1 – FORMAÇÃO TEÓRICA (INTELECTUAL) DE UM  GRANDE LÍDER (v.20-23)

20  Por esse tempo, nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Por três meses, foi ele mantido na casa de seu pai; 21  quando foi exposto, a filha de Faraó o recolheu e criou como seu próprio filho. 22 E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras. 23  Quando completou quarenta anos, veio-lhe a idéia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel

Por esse tempo, é justamente o tempo em que o povo de Israel (que havia subido ao Egito por intermédio de José), havia sido feito escravo no Egito, logo depois que foi levantado um novo rei no Egito que não conhecera a José. Neste tempo,  viu este rei que o povo de Israel se multiplicava grandemente, e temendo uma revolta, mandou que as parteiras matassem todos os filhos dos israelitas recém nascidos, permitindo no entanto, que as filhas vivessem.

Conforme encontramos no livro de Êxodo cap.2, Moisés era formoso desde seu nascimento, e por isso foi ocultado por seus pais para não ser morto, até que finalmente foi colocado em um cesto de junco e lançado no mesmo rio em que se banhava a filha de Faraó, que ao ver o cesto com a criança, se compadece dela pois chorava muito. Assim, a filha de Faraó a toma para si, e lhe dá o nome de Moisés que significa “tirado das águas”. Pela providencia de Deus, a verdadeira mãe de Moisés, Joquebede, é chamada para servir de ama para a criança.

Finalmente, Moisés é criado como filho da filha de faraó, e educado em todaa ciência dos egípcios”, tornando-se assim, “poderoso em palavras e obras” (v22).

Vemos em tudo isto a providência de Deus na vida de Moisés, para que finalmente, a educação deste grande líder fosse a melhor da época. Sua formação intelectual foi excepcional.

Segundo estudiosos da história do Egito, no período do “Novo Reino” do Egito, (provavelmente período em que Moisés cresceu no Egito) haviam grandes instalações educacionais da corte egípcia, que serviam para treinar os herdeiros reais de príncipes tributários. Embora estes príncipes eram mantidos como reféns para assegurar o recebimento de impostos, estes jovens eram muito bem tratados naquela prisão principesca, pois se falecia algum príncipe distante, um filho seu que fora treinado nestas grandes instalações educacionais e em toda cultura egípcia,  seria nomeado para ocupar o trono vago, na esperança de que se tornaria leal vassalo de Faraó. É altamente provável que Moisés tivesse recebido seu treinamento egípcio na companhia de herdeiros reais da Síria e de outras terras.[2]

Este centro educacional também é identificado por alguns como o  “Templo do Sol”, um centro educacional egípcio descoberto por arqueólogos da atualidade. E devido a sua magnitude educacional, muitos estudiosos da atualidade o chamam de “Oxford do Mundo Antigo”[3]

Esta educação na corte egípcia tinha o propósito de formar líderes, com isso vemos como que Moisés realmente estava no lugar certo. Pela providencia de Deus, Moisés estava sendo preparado para ser um grande líder que formaria a legislação do povo de Israel. Alguém que escreveria nada mais nada menos que todo o Pentateuco, precisaria ter uma educação á altura.

Naturalmente que seus escritos bíblicos foram frutos de uma revelação divina, mas Deus não deixou de dar-lhe condições de ter uma formação literária excepcional, simplesmente a mais avançada da época.

A arqueologia tem nos ajudado bastante a cerca deste assunto, a descoberta dos tabletes de Tell el-Amarna, mostrou que nos dias de Moisés havia uma cultura literária adiantada por todo o Oriente Próximo e Médio. Assim, é provável que Moisés tenha aprendido a escrever nos hieróglifos egípcios, na escrita cuneiforme acádica, e, talvez em alguma escrita cuneiforme Ugarite, quase idêntica à escrita dos hebreus da época.[4]

Os códigos de direito da época, provavelmente também faziam parte de tal treinamento. O Código de Hamurábi, por exemplo, era amplamente estudado e comentado por escribas egípcios, de modo que Moisés possivelmente o conhecia bem. Com as possíveis exceções de Salomão, Daniel e Neemias, nenhum outro personagem do Antigo Testamento, recebeu treinamento semelhante.[5]

De fato, a ciência egípcia era bastante desenvolvida para a sua época, de modo que antigos historiadores como Filo e Josefo[6], dizem em suas obras que a casta sacerdotal dos egípcios tinham um elevado conhecimento em ciências como: astronomia, medicina, matemática, filosofia religiosa, aritmética, geometria, todo o ramo de música, e como já vimos, os hieróglifos e os idiomas assírios e caldeus. Os mestres de Moisés não eram apenas egípcios, mas também gregos e assírios.

A formação teórica e intelectual de Moisés foi excepcional. Se olharmos para a história do povo de Deus veremos que, salvo algumas exceções, os grandes líderes que Deus usou, sempre tiveram uma boa formação.

Nos lembremos por exemplo de Daniel e dos seus outros três companheiros. Nos é dito que “a estes quatro jovens, Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria” (Dn. 1:17). E por isso, estes jovens passaram a assistir diante do rei Nabucodonosor, de sorte que “Em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino.” (Dn. 1:20)

Muitos outros grandes líderes de Deus foram excepcionalmente bem preparados, como por exemplo: Neemias, Samuel, Salomão e mesmo no Novo Testamento, os mais bem preparados foram os que de fato mais fizeram pela obra de Deus. O grande líder e Apóstolo Paulo, durante uma defesa que faz diante de seus compatriotas, diz: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje. (Atos 22:3)

Gamaliel era doutor da Lei e membro do Sinédrio. Este professor do apóstolo Paulo era tido em tão alta estima que era chamado de “Rabã” que significa “nosso mestre”, um título mais elevado que “Rabí” que significa, “meu mestre”.[7]

Mesmo os grandes líderes da atual Igreja, como os reformadores, Martinho Lutero e João Calvino, tiveram uma extensa formação intelectual, que foi-lhes de grande utilidade no exercício da liderança.

A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, referindo-se ao líder no Sagrado Ministério prescreve no Art.32: “O ministro, cujo cargo e exercício são os primeiros na Igreja, deve conhecer a Bíblia e sua teologia; ter cultura geral; ser apto para ensinar e são na fé…” Não podemos jamais desprezar uma boa formação, se de fato queremos ser um bom líder na Igreja de Cristo. Ainda que seja possível encontrarmos um bom líder que não teve uma boa formação, isto será uma exceção. É certo que seria um líder melhor ainda, se também tivesse uma boa formação.

Na providência de Deus, Moisés teve formação intelectual e teórica excelente, do mais alto nível, ao ponto de Estevão, em seu sermão, dizer que Moisés era um homem “poderoso em palavras e obras.” Mesma qualidade atribuída a Jesus Cristo em Lucas 24:19 “Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo,”

Esta primeira fase na vida de Moisés durou quarenta anos, conforme lemos no v.23 Quando completou quarenta anos, veio-lhe a idéia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel”. Completado os seus quarenta anos, Moisés passa por uma fase de transição, pois Deus ainda pretendia prepará-lo por mais quarenta anos, para só então, finalmente usá-lo.

Conhecimento intelectual e teórico é muito importante, mas não é tudo, um grande líder não é formado apenas disto. É necessária também uma formação prática e pastoral, e que muitas vezes pode ser até mais árdua que a formação teórica, como foi no caso de Moisés.

Esta formação prática, tão necessária para moldar um grande líder, Moisés também não deixou de ter, como veremos em seguida.

5.2 – FORMAÇÃO PRÁTICA (PASTORAL) DE UM GRANDE LÍDER (v.23-34)

O mesmo versículo que encerra a primeira fase da vida de Moisés, também inicia a segunda fase de sua vida. Pois agora, Moisés passa por uma transição radical que o leva a um segundo aspecto extremamente importante na formação de um grande líder. Como vimos, durante os seus primeiros quarenta anos de vida, Moisés viveu nos palacetes, não só com a educação, mas também com todo o requinte e conforto que o Egito podia oferecer.

Vemos no v.23 que, ao completar quarenta anos veio-lhe a idéia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel”. Certamente que Moisés sabia da situação em que viviam seus irmãos, pois eram todos escravos no Egito. Tudo indica também que, de alguma forma, Moisés tinha um conhecimento da fé do seu povo. Teve acesso a esta fé, possivelmente através da sua mãe verdadeira, que lhe serviu de ama durante a sua infância, até que finalmente ele veio a ser entregue á filha de Faraó.

O autor da carta aos Hebreus nos relata que a atitude de Moisés, a de abandonar os privilégios do Egito e se dirigir em direção aos seus irmãos, foi um ato de fé. “Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,  preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir dos prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.” Hebreus 11:24-26

Na verdade, o que tudo indica é que Moisés, além de já ter uma fé em Deus, de alguma forma já tinha também a consciência de que Deus queria salvar o Seu povo por seu intermédio, pelo fato de se dirigir até seus irmãos da forma que o fez. Estevão diz em seu sermão que “Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles porém não compreenderam.” (Atos 7:25)

Assim, possivelmente pensava ele que através de sua influência, ele poderia de alguma forma ajudar a seus irmãos. Mas isto não deveria acontecer a seu próprio modo, mas sim, ao modo de Deus. Naturalmente que Moisés ainda tinha muito o que aprender, pois apesar de todo o seu conhecimento intelectual, com o preparo que teve no Egito, faltava-lhe ainda uma dependência de Deus que ele não tinha.

No seu sermão, Estevão nos lembra que ao visitar seus irmãos, Moisés viu um deles sendo maltratado por um egípcio, e ele “vingou o oprimido, matando o egípcio” (Atos 7:24). No livro de Êxodo, vemos ainda que Moisés “olhou de um e de outro lado, e, vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio, e o escondeu na areia.” (Ex.2:12).

Realmente Moisés queria ajudar a seus irmãos, só que para isso agia através de suas próprias mãos, e não pelas mãos de Deus, agia a seu próprio modo e não no modo de Deus.

“No dia seguinte, aproximou-se de uns que brigavam e procurou reconduzi-los à paz,dizendo: Homens, vós sois irmãos; por que vos ofendeis uns aos outros? Mas o queagredia o próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós? Acaso, queres matar-me, como fizeste ontem ao egípcio?” (Atos 7:26-28)

Lemos “No dia seguinte…”, ou seja, de fato Moisés continuou insistindo no que havia proposto, ou seja, fazer seus “irmãos entenderem que Deus os queria salvar por intermédio dele” v.25, e insistia nisto um dia após o outro, pois depois de matar o egípcio, “no dia seguinte” já estava agindo novamente.

Moisés tentou esconder o que havia feito, mas logo em seguida soube que já haviam descoberto o seu assassinato, e isto teve sérias consequências. O livro de Êxodo, registra que desde então, Faraó sabendo disto o procurava para matá-lo e por isso ele temeu e fugiu para a terra de Midiã.

Para que ele fosse um grande líder diante de todo aquele povo, restava-lhe ainda muita experiência, algo que finalmente só lhe foi possível na terra de Midiã, para a qual ele fugiu após ter matado o egípcio, como lemos: “Moisés fugiu e tornou-se peregrino na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.” (Atos 7:29)

Na terra de Midiã, Moisés se casa com Zípora e tem dois filhos. Seu sogro Jetro, era sacerdote de Midiã e pastor de ovelhas, ocupação esta, a de pastor de ovelhas, é que Moisés se dedicará nos próximos quarenta anos de sua vida.

Este povo, o dos Midinitas, derivava de cinco famílias, cada qual descendentes dos cinco filhos de Midiã, que por sua vez era filho de Abraão com a sua concubina, Quetura. A história deste povo começa quando Abraão os envia na direção do Oriente, e eles passaram a viver na península da Arábia e do Sinai.

É nesta região que agora Moisés passa a habitar. Um território desértico e hostil, onde a sobrevivência humana é muito difícil. Em vez da escola no palácio egípcio, Moisés agora experimenta a escola do deserto. Em vez da riqueza e fartura do Egito, Moisés agora experimenta a simplicidade e escassez do deserto. Em vez da suntuosidade das vestimentas palacianas, suas vestes agora eram grosseiras e surradas, sua alimentação era frugal, sua habitação era por certo em tendas.

A ocupação pastoril, que Moisés passou a exercer, também tinha muito o que lhe ensinar. Enquanto pastoreava o rebanho de seu sogro, aprendendo a sobreviver no deserto, Deus o preparava para pastorear o Seu rebanho, de forma a também mantê-los vivos no deserto.

É importante observar que as ovelhas que Moisés pastoreava no deserto, não eram suas, e sim de seu sogro, como lemos “E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, o sacerdote de Midiã…”(Êxodo 3:1). Naturalmente, Moisés tinha que prestar contas do seu pastoreio ao seu sogro Jetro. Da mesma forma, o povo que Moisés quarenta anos depois viria a pastorear neste mesmo deserto, não lhe pertencia, mas era o povo de Deus, e de igual modo, Moisés também deveria prestar contas do seu pastoreio a Deus.

A arte de pastorear requer mansidão e paciência, algo que Moisés estava aprendendo no dia a dia com as suas ovelhas no deserto.

Todas estas circunstâncias o faziam se despir da sua auto-suficiência que o Egito lhe havia conferido, e agora o obrigava a se revestir de uma total dependência de Deus, desde as mínimas coisas.

Além de tudo, agora Moisés tinha um aprendizado espiritual, pois seu sogro era o sacerdote de Midiã. Certamente ele tinha muito o que ensinar a Moisés. O pouco que a Bíblia fala deste homem, nos mostra ser ele um homem piedoso e muito temente a Deus, e tinha uma grande amizade para com Moisés. Muito tempo depois isto irá ficar bem mais claro, pois lemos no livro de Êxodo cap.18 quando Moisés liberta o povo de Israel e segue em direção ao deserto, seu sogro vai até ele, e lemos:

“Moisés saiu ao encontro do seu sogro, inclinou-se e o beijou; e, indagando pelo bem-estar um do outro, entraram na tenda. Contou Moisés a seu sogro tudo o que o SENHOR havia feito a Faraó e aos  egípcios por amor de Israel, e todo o trabalho que passaram noagito, e como o SENHOR os livrara. Alegrou-se Jetro de todo o bem que o SENHOR fizera a Israel, livrando-o da mão dos egípcios, e disse: Bendito seja o SENHOR, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão de Faraó; agora, sei que o SENHOR é maior que todos os deuses, porque livrou este povo de debaixo da mão dos egípcios, quando agiram arrogantemente contra o povo. Então, Jetro, sogro de Moisés, tomou holocaustoe sacrifícios para Deus; e veio Arão e todos os anciãos de Israel para comerem pão como sogro de Moisés, diante de Deus.” (Êxodo 18:7-12)

O sogro de Moisés era um sacerdote, sacrificava ao Senhor e se alegrava com os feitos de Deus. Seriam estas amizades que também ajudariam a formar o caráter de Moisés fazendo-o finalmente ser um grande líder. Sim, Moisés viria a ser um grande líder do povo de Israel, libertador, legislador e profeta. Mas não do seu modo, e sim, ao modo de Deus. Não na sua hora, mas na hora de Deus. Não apenas com uma formação intelectual e teórica, mas também com uma formação prática e pastoral. Para que, tendo Deus finalmente lapidado aquela pedra bruta, tanto no aspecto teórico como no aspecto prático, pudesse agora usá-la como bem entendesse.

Assim, completados os quarenta anos de experiência e aprendizado no deserto, finalmente Deus se manifesta a Moisés no deserto do Sinai, como lemos: “Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe, no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia.”(v.30) E o Senhor lhe diz: “Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá-lo. Vem agora, e eu te enviarei ao Egito.” (v.34)

Este chamado de Moisés é relatado com maiores detalhes no livro de Êxodo, onde vemos que no princípio, Moisés relutou em aceitar esta convocação, não se achando capacitado para tal missão, mas finalmente ele se sujeita á vontade de Deus.

Vemos com isto, como que aqueles duros quarenta anos no deserto pastoreando ovelhas haviam mudado o seu coração. Não vemos mais aquele Moisés auto-suficiente, que queria libertar os seus irmãos com as próprias mãos. Vemos agora é um novo Moisés.

De certo modo, até mesmo um tanto inseguro em si mesmo, mas totalmente dependente de Deus. Finalmente, colocado nas mãos de Deus, ele de fato se torna um grande líder.

Vimos que para ser um grande líder é necessário uma formação teórica (intelectual) e uma formação prática (pastoral). Veremos finalmente o que Deus pode fazer com um homem formado para ser um grande líder.

5.3 – FORMADO PARA SER UM GRANDE LÍDER (v.35-36)

35  A este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça. 36  Este os tirou, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.

Segundo o texto, Moisés retorna agora ao Egito como “chefe e libertador” do povo de Israel. Dois terços da sua vida haviam se passado. Durante todos estes anos o Senhor o estava formando e preparando para esta grande obra, que certamente não faria sozinho, mas conforme diz o texto: “com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça” v.35

Com isto, vemos mais uma grande lição, que o segredo do líder não está na sua formação em si, seja ela teórica ou prática, mas sim, no exercício de sujeitar esta mesma formação a uma total dependência de Deus.

De fato, como vimos, Deus estava preparando Moisés desde o início de sua vida, mas o sucesso de sua liderança depende totalmente da “assistência do anjo que lhe apareceu na sarça.” V.35

Sem esta assistência, este grande líder não poderia tirar o povo de Israel do Egito, fazendo os sinais e prodígios registrados nas Sagradas Escrituras.

Segundo o texto, estes sinais e prodígios foram feitos:

1.    Na terra do Egito. (Além de outros sinais, os principais foram as famosas dez pragas do Egito)

2.    No mar vermelho. (Foi aberto para que o povo atravessasse em terra seca, o que tentando os egípcios, foram tragados pelo mar.)

3.    No deserto por quarenta anos. (Deus operou dezenas de milagres através da vida de Moisés, durante estes quarenta anos.)

Na carta aos Hebreus, somos lembrados que estes grandes sinais foram feitos através da fé que este grande líder Moisés tinha para com Deus:

Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei;antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível. Pela fé, celebrou a  Páscoa e o derramamento do sangue, para que o exterminador não tocasse nos primogênitos dos israelitas. Pela fé, atravessaram o mar Vermelho como por terra seca; tentando-o os egípcios, foram tragados de todo. (Hebreus 11:27-29)

Moisés foi formado para ser um grande líder, e de fato, exerceu a sua liderança com sucesso. Todo seu conhecimento intelectual e a sua formação prática lhes foram úteis no exercício de sua liderança, no entanto, sempre se sujeitando ao SENHOR e confiando plenamente em Deus, pois como acabamos de ler na Carta aos Hebreus, foi pela fé que Moisés exerceu a sua liderança.

A sua formação foi útil durante toda a sua liderança. Moisés formulou a legislação do povo de Israel, a qual recebe o seu próprio nome, “A Lei de Moisés”. Precisou ser sábio para guiar aquele povo pelo deserto durante os seus últimos quarenta anos de vida. Seria impossível relatarmos aqui, todas as experiências que encontramos na vida de Moisés durante este período em que já estava formado para ser um grande líder.

Mas não podemos deixar de relatar algumas atitudes que são imprescindíveis ao líder, como por exemplo o ato de ouvir.

Toda sabedoria e conhecimento adquiridos no Egito, unida ao espírito pastoral e compreensivo de um pastor de ovelhas, fez com que Moisés, mesmo sendo o libertador e legislador do povo de Israel, ainda tivesse a humildade necessária para ouvir os conselhos dos mais velhos e mais experientes.

No livro de Êxodo, cap.18 vemos como que Moisés assentava-se para “julgar opovo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até ao pôr-do-sol.” (v.13) E o seu sogro vendo esta situação aconselha a Moisés dizendo: “Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez; para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave trarão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo.” (v.21,22)

O grande líder é aquele que sabe ouvir, pois a isto lemos em seguida que Moisés “atendeu às palavras de seu sogro e fez tudo quanto este lhe dissera.” (v.24)

A formação pastoral em Moisés fica evidente na sua capacidade de se identificar com as seus liderados, assim como o pastor se identifica se condói das suas ovelhas. O grande líder é aquele que se identifica com as causas de seus liderados, e isto Moisés fazia muito bem. É certo que ele o fazia também como um profeta e sacerdote que o era, mas não podemos deixar de observar que ao se colocar no lugar do povo, ele não deixava de exercer a sua liderança. Não há como desassociar uma coisa da outra.

Assim, este grande líder com ousadia se colocava no lugar do povo, disposto a sofrer as consequências juntamente com ele. Esta característica fica evidente quando lemos no livro de Êxodo que Moisés intercedeu pelo dizendo: “Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste. (Ex.32:32)

Moisés teve uma formação teórica e intelectual, e também uma formação prática e pastoral, para finalmente exercer a sua liderança. Deus o preparou durante um longo tempo, para Lhe servir. De fato Moisés foi um grande líder.

6. - CONCLUSÃO:

Com base no sermão de Estevão, onde a vida de Moisés é dividida em três fases, vimos a formação de um grande líder.

A formação teórica (intelectual) de Moisés foi excepcional. Se olharmos para a história do povo de Deus veremos que, salvo algumas exceções, os grandes líderes que Deus usou, sempre tiveram uma boa formação. De fato é preciso conhecer para poder ensinar e liderar.

No entanto, como vimos, apenas uma formação intelectual não é o suficiente para um grande líder. É necessário uma boa dose de experiência, uma formação prática e pastoral faz com que a nossa formação teórica tome seu verdadeiro sentido.

Moisés, mesmo tendo uma boa formação intelectual, sendo criado em toda ciência dos egípcios, não foi bem sucedido em sua primeira tentativa de fazer com que seus irmãos entendessem que Deus os queria salvar por intermédio dele. Somente depois de uma experiência de mais quarenta anos, pastoreando ovelhas no deserto, aprendendo muitas coisas com o seu sogro sacerdote de Midiã, é que ele finalmente esteve pronto para pastorear o povo de Deus.

Moisés precisou se colocar nas mãos de Deus e aprendeu que todo o seu conhecimento intelectual, ainda que excepcional, não seria de valor algum se Deus não estivesse com ele. Moody, ao se referir às três fases na vida de Moisés, diz que ele gastou:

40 anos pensando que era alguém

40 anos aprendendo que não era ninguém

40 anos descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém.

Vemos dois terços de uma vida sendo gastos com a formação de um líder, para que somente assim, um terço de sua vida finalmente ser gasto no exercício de sua liderança.

Hoje em dia, nem sempre a preocupação na formação de um líder é a mesma. O tempo de formação de um líder tem sido o menor possível, e quando há uma boa formação, dificilmente ela é proporcionalmente equiparada nos seus dois aspectos básicos: o teórico (intelectual) e o prático (pastoral e espiritual).

A igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo necessita de grandes teólogos, de homens que possuam todo o conhecimento que estiver ao seu alcance, mas a Igreja de Cristo também precisa de líderes que saibam conduzir o rebanho ao Sumo Pastor de nossas almas.

Creio que a igreja nunca teve tantos teólogos de vasta cultura como temos nos dias de hoje, mas ao mesmo tempo, a igreja de Jesus Cristo nunca teve tão poucos líderes que de fato lideram o rebanho.

Precisamos de mais homens como Moisés, cuja formação intelectual foi extensa e excepcional, mas também de uma formação prática e pastoral proporcionalmente extensa e eficaz, pois somente assim teremos no produto final, um grande líder.

Como vimos, para o sucesso de nossa liderança, é essencial que a nossa formação, em seus dois aspectos básicos: o teórico (intelectual) e o prático (pastoral e espiritual), seja total e continuamente sujeita ao Senhorio de Cristo. Pois somente através de uma real dependência e constante confiança no Sumo Pastor de nossas almas, é que exerceremos plenamente a nossa liderança.

[1] Sinédrio, era o nome dado ao mais alto tribunal dos judeus que se reuniam em Jerusalém.

[2] STEINDORFF e SEELE When Egypt Ruled the East, pg.105. Citado por SCHULTZ,  Samuel J. A História de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000, pg.49

[3] SWINDOLL Charles R. Série Heróis da Fé – Moisés. São Paulo: Mundo Cristão, pg.56

[4] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia Vol.4. São Paulo: Candeia, pg.335

[5] ALAN, R. Cole. Êxodo Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, pg.57

[6] Ver estas referências em CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Vol.3. Guaratinguetá: A Voz Bíblica, pg.149

[7] DOUGLAS, J. D. (org.). O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995.

CARACTERÍSTICAS DOS FALSOS MESTRES

CARACTERÍSTICAS DOS FALSOS MESTRES – Quando o Lobo usa pele de ovelha

TEXTO: 2a Pedro 2:1-3

1. INTRODUÇÃO:

Os grandes bancos nos EUA  treinam exaustivamente os seus funcionários para que reconheçam uma nota falsa. Estes funcionários estão muito bem preparados e se porventura durante o manuseio das notas, houver alguma nota falsa, rapidamente ela será identificada pelo funcionário. No entanto, o mais interessante é que eles são treinados para reconhecerem uma nota falsa, primeiramente reconhecendo exaustiva e detalhadamente uma nota verdadeira. Assim, qualquer nota que destoe um  pouco da verdadeira, será facilmente identificada.

Como não é possível para estas grandes instituições financeiras preverem quais serão as novas formas e métodos de falsificação de notas, resta apenas fazer com que os seus funcionários reconheçam as notas verdadeiras, para poderem reconhecer uma nota falsa. Se fosse possível prever quais seriam as características das notas falsas que seriam colocadas em circulação pelos falsificadores de dinheiro, certamente que os funcionários destas instituições também seriam alertados e treinados para identificarem as futuras notas falsas através das suas características.

Na arte de reconhecer o verdadeiro do falso, de discernir e escolher entre o certo e o errado, nós cristãos somos privilegiados, pois além de sermos treinados exaustivamente a cerca das características da verdade ao ponto de identificarmos qualquer coisa que destoe desta verdade, nós também somos alertados a cerca das características do falso. E isto só é possível porque as características daquilo que não é verdadeiro, nos é previamente revelada por Deus na Sua Santa palavra.

Este texto que consta na 2a Carta de Pedro 2:1-3, nos revela previamente algumas características dos falsos mestres que “futuramente” surgiriam no meio do povo de Deus.

Naturalmente que, somente pela presciência do Espírito Santo de Deus revelada a Pedro e registrada na Sagrada Escritura,  é que podemos antever algumas características dos falsos mestres que surgiram e ainda surgirão no meio do povo de Deus.

E veremos como que de fato, Pedro prevê que falsos mestres surgiriam não apenas entre os primeiros leitores desta carta, mas entre nós também. Pois tanto os falsos mestres como as suas características, podem ser identificadas por nós ainda nos dias de hoje.

TEXTO: 2a Pedro 2:1-3

1     Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 2     E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; 3    também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.

2. CONTEXTO:

Acredita-se que Pedro escreveu esta carta pouco antes da sua morte (cerca de 67-68 d.C.) pois no início desta carta, ele mesmo prenuncia a sua morte iminente dizendo: “certo de que estou prestes a deixar o meu tabernáculo, como efetivamente nosso SENHOR Jesus Cristo me revelou.” (2 Pe 1:14)

Possivelmente Pedro escreveu de Roma, já que a sua primeira carta  foi escrita provavelmente em Roma também, segundo ele mesmo afirma dizendo na sua primeira carta: “Aquela que se encontra em Babilônia, também eleita, vos saúda, como igualmente meu filho Marcos.” (1 Pe 5:13)

A cidade de “Roma” geralmente era identificada pelos irmãos da igreja primitiva como a “Babilônia”. E tradicionalmente afirma-se que Pedro foi martirizado em Roma sob o imperador Nero.

Pedro identifica os primeiros leitores desta carta como “aqueles que obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo,” (2 Pe 1:1) e se estes são os mesmos leitores da primeira carta, podemos identificá-los como os “eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia,” (1 Pe 1:1)

Esta carta encontra um paralelo muito forte com a carta de Judas. Dos 25 versículos da carta de Judas, 15 aparecem total ou parcialmente em 2 Pedro. Muitas das idéias, palavras e expressões ocorrem em paralelo nas duas epístolas, mostrando que há um grande relacionamento entre ambas. Ambas as cartas têm o mesmo objetivo e se manifestam por causa do mesmo problema, no que se refere aos falsos ensinos que os primeiros leitores estavam sujeitos.

Nesta carta, provavelmente o apóstolo Pedro estava atacando uma forma primitiva de gnosticismo, já que o gnosticismo, como um movimento de fato, só ocorreu muito tempo depois que esta carta foi escrita. Gnosticismo, era um conjunto de ensinos heréticos que a igreja primitiva teve de enfrentar nos dois primeiros séculos da nossa era. Dentre as muitas heresias, este movimento propagava um dualismo (entre o bem e o mal) e a possessão de um conhecimento superior, que deriva do  termo grego gnosis: conhecimento.

Todavia, pelo conteúdo da carta, tudo indica que as vidas e os ensinos destes homens, negavam o Senhorio de Jesus. Eles eram pessoalmente imorais e infectavam aos outros com seus modos lascivos através de reduzir ao mínimo o lugar da lei na vida cristã e de enfatizar a liberdade. Estes homens visavam lucros buscando ganhar alguma vantagem dos seus ouvintes. Finalmente, esta carta também nos deixa claro o fato de que estes falsos mestres seriam punidos por Deus.

Todas estas características são levantadas na 2a carta de Pedro, e especialmente nos três versículos que lemos. Sendo assim, trataremos das “Características dos falsos mestres”.

3. TEMA: “CARACTERÍSTICAS DOS FALSOS MESTRES”

4.1 – 1a CARACTERÍSTICA:“OS FALSOS MESTRES SURGEM DO MEIO DO POVO”

v.1 “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres…”

O texto nos diz que estes falsos mestres são semelhantes aos falsos profetas, pois surgem do meio do povo.

A expressão “falsos mestres” não ocorre em nenhuma outra passagem do Novo Testamento. No original está composto em uma única palavra. E tanto “falso mestre” como “falso profeta”, se inicia com o termo “pseudo”, que significa “uma mentira”. Mesmo no português é como se disséssemos que determinada pessoa é um “pseudo-mestre”, ou seja, ela se passa por mestre. Das 59 vezes que a palavra mestre aparece no NT, 41 se refere a Jesus, e o restante, á líderes religiosos.

“Mestre” no NT é uma tradução do hebraico “Rabi”, que por duas vezes os evangelhos ao se referirem a Jesus não traduzem, para “Mestre”.

Quando o texto trata desta categoria chamando-os de “falsos mestres”, mostra que de fato eles queriam se passar por um dos verdadeiros líderes religiosos á semelhança dos líderes cristãos.

Assim como os “pseudos profetas” anteriormente queriam se passar por legítimos profetas, agora os “pseudos mestres” se faziam líderes dentre o povo.

O fato destes homens surgirem do meio do povo, tornava a identificação do seu “pseudo ensino”, um tanto difícil. Mas o Apóstolo Pedro alerta para o fato de que isto já ocorria com o povo de Israel no passado ao dizer que os falsos mestres surgiriam “assim como”  muitos falsos profetas surgiram no meio do povo.

Moisés mesmo alertou os israelitas dizendo que surgiriam falsos profetas no meio do povo, e isto seria uma provação para o povo de Israel:

1   Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, 2  e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, 3  não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. (Deuteronômio cap.13)

O profeta Jeremias também alertou o povo de Deus acerca dos profetas que “entre o povo de Deus profetizavam”:

“Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do SENHOR.” (Jeremias 23:16)

É importante observar ainda que na 2a carta de Pedro, a palavra no texto original usada para dizer que estes falsos mestres “surgem” no meio  do povo, também pode transmitir  a idéia de “vir a existência” ou “nascer”, já que é a mesma raiz da palavra “gênesis” (sig. nascimento, origem.) Ou seja, de fato estes falsos mestres originaram-se do meio do povo de Deus.

Tanto gramaticalmente como teologicamente é correto dizermos que estes falsos mestres nunca foram de Deus, apenas pareciam ser enquanto estavam misturados com o povo de Deus, até que em um determinado momento “vieram á luz” ou “surgiram” como nossa Bíblia traduz.

A palavra “surgir” algumas vezes também é traduzida no NT transmitindo a idéia de “tornar-se”, sendo assim, uma outra possibilidade é a de que estes homens se apostataram da verdade que primeiramente lhes fora transmitida e aderiram á heresias “tornando-se assim” falsos mestres.

Esta característica dos falsos mestres de fato se cumpriu no passado e se cumpre no presente. Os falsos mestres “surgem” no meio do povo de Deus. Muitos dos movimentos e seitas heréticas se originaram a partir de um membro de uma igreja evangélica que se levantou e arrastou muitos após si.

Há não muito tempo atrás, muitas profetizas se levantaram em igrejas presbiterianas, e dizendo ter recebido revelações de Deus fizeram verdadeiros estragos em muitas igrejas.

Muitas heresias são difundidas por ‘falsos mestres” que surgem no meio do povo e permanecem no meio do povo de Deus. Líderes evangélicos que há muito tempo se apartaram da verdade de Deus, que, mesmo pregando heresias, se confundem com os verdadeiros mestres, pois pelo fato de surgirem no meio do povo de Deus, eles se parecem com os verdadeiros mestres,  mas na verdade não passam de “pseudo mestres”.

Estes falsos mestres, além de surgirem no meio do povo, também introduzem dissimuladamente heresias destruidoras.

4.2 – 2a CARACTERÍSTICA: “OS FALSOS MESTRES INTRODUZEM DISSIMULADAMENTE HERESIAS  DESTRUIDORAS”

v.1 “…os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”

Estes falsos mestres “introduzirão dissimuladamente” heresias destruidoras. Na verdade a tradução: “introduzirão dissimuladamente” vem de uma única expressão no texto original (grego), que é muito rica em seu significado, pois também pode ser traduzida como “contrabandear” ou “introduzir furtivamente“. No contexto esta palavra significa: “trazer para dentro lado a lado com” (no caso, com a verdade) e “introduzir secretamente” expressa a idéia de “introduzir algo debaixo de alguma cobertura”.

Uma das características destes falsos mestres que surgem no meio do povo, é justamente introduzir heresias de forma dissimulada, ou seja, o que nós vemos aqui é um tipo de sincretismo, onde as heresias são introduzidas no meio do povo de Deus misturadas de tal forma com a verdade, que passam desapercebidas.

Por exemplo, quando alguma seita usa o nome de Jesus, Deus, evangelho… isto não garante que estão pregando a verdade.  Nós temos pessoas dizendo coisas absurdas em nome de Jesus. Nós precisamos avaliar as implicações daquilo que ouvimos, mesmo que o que está sendo dito, esteja temperado com “alguma” suposta verdade.

Jesus certa vez alertou seus discípulos a cerca destes disfarces do inimigo dizendo: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” (Jo 7:15)

Ainda que estes “falsos mestres” possam dissimular e “tentar enganar” o povo de Deus, Jesus nos deixa claro que a Ele não conseguirão enganar pois diz que:

21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. (Mt 7:21-23)

Finalmente Jesus nos diz que estes “falsos mestres” ou “falsos profetas” surgiriam nos últimos tempos e operariam grandes sinais e prodígios ao ponto de enganar, se possível, os próprios eleitos:

“…porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.” (Mt 24:24)

O texto ainda nos diz que estas heresias introduzidas “camufladamente”, tem um potencial “destruidor”. É interessante observarmos o trocadilho que o apóstolo Pedro faz, pois a expressão “destruidor” é a mesma usada para aquilo que os hereges trazem sobre si, “repentina destruição”. Estas heresias tem o potencial de destruir a fé das pessoas que a abraçam, fazendo com que a destruição seja repentina.

Na realidade estas “heresias destruidoras” trazem “repentina destruição” porque elas resultam na “negação do Senhor”.  O texto nos diz que o ato de “introduzir heresias”, chega ao ponto de “renegarem o soberano Senhor que os resgatou”.

Creio que a maior dificuldade deste texto, consta nesta inusitada afirmação “renegarem o Soberano Senhor que os resgatou”. Teologicamente só pode haver uma explicação. Estes falsos mestres que  surgiram no meio do povo “nunca foram de fato regenerados” simplesmente porque é impossível perder a salvação, ou “cair da graça”.

O texto nos fala que estes falsos mestres introduzirão heresias ao ponto de “renegarem” o Senhor. Este verbo também pode ser traduzido como “repudiar” ou “recusar” o soberano Senhor que os resgatou. Ou seja, apesar de estarem no meio do povo, de fato, nunca fizeram parte do povo, pois recusaram isso. A expressão “resgatar” é a mesma usada para o resgate do povo de Israel do Egito. Como sabemos, nem todos que foram libertos juntamente com o povo de Israel do Egito, eram de fato “filhos de Deus”.

Durante a peregrinação muitos se apartaram do Senhor e foram destruídos, mostrando de que lado eles estavam. Ainda que tivessem obtido todos os benefícios que o povo de Deus havia recebido com a sua libertação do Egito, eles nunca foram regenerados.

Estes “falsos mestres” estão na mesma categoria das pessoas que lemos na carta aos Hebreus. Elas experimentaram muitos dos benefícios do Senhor, “foram iluminadas” provaram do “dom celestial” e até participaram  do “Espírito Santo” mas nunca foram regeneradas de fato, assim lemos em (Hb 6:4-6):

“4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, 5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, 6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”(Hb 6:4-6).

O Apóstolo Paulo nos lembra na 1a carta á Timóteo que nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé:

1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, (1 Tim. 4:1,2)

Na carta aos Efésios o Apóstolo Paulo também nos diz que as falsas doutrinas são artimanhas de homens astutos:

“…para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Ef. 4:14)

O próprio Apóstolo Pedro faz um contraste no capítulo anterior, dizendo que o seu testemunho não era uma “fábula engenhosamente inventada”, e em seguida, no cap.2 nos mostra que esta é justamente uma característica dos falsos mestres, ou seja, a de introduzir “heresias dissimuladamente”:

“Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pe 1:16)

O Apóstolo Paulo também nos diz que haverá tempo em que os homens “cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças” e se entregarão às “fábulas”:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Tim. 4:3-4)

Esta é uma das características dos “falsos mestres”,: introduzirem dissimuladamente heresias destruidoras, e como conseqüência negam ao Senhor e trazendo sobre si repentina destruição. E como vemos, esta característica pode ser constatada em toda a Escritura.

Mas o texto diz que estes falsos mestres, além de surgirem no meio do povo e de introduzirem heresias destruidoras, eles se caracterizam também por fazerem muitos seguidores, como veremos a seguir.

4.3 – 3a CARACTERÍSTICA: “OS FALSOS MESTRES FAZEM MUITOS SEGUIDORES”

v.2 “E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;”

Esta característica é muito peculiar aos “falsos mestres“, é impressionante como que suas “doutrinas heréticas” que naturalmente produzem “práticas libertinas” acabam por também produzir muitos seguidores.

A expressão “práticas libertinas” transmite a idéia de imoralidade temerária e endurecida, como uma antítese ao “caminho da verdade”.

Se de fato, como vimos no contexto, as heresias que os falsos mestres introduziam, fossem, algum tipo de “gnosticismo primitivo”, a expressão “práticas libertinas” faz total sentido, pois os gnósticos transformavam a santidade e liberdade cristã em licenciosidade.

Segundo eles, toda matéria seria má, e o espírito bom. Assim, o corpo físico seria a sede do pecado (por fazer parte da matéria) e imaginavam que toda forma de depravação corporal ajudaria a destruir o corpo. Também davam liberdade para toda sorte de depravações, especialmente as sexuais, pois acreditavam que a alma em nada seria prejudicada.

Esta dicotomia, do corpo e da alma, foi um erro posteriormente difundido pelo movimento dos  gnósticos, mas também encontramos suas raízes neste tipo de gnosticismo primitivo. Eles não compreendiam que tanto a alma como o corpo são santos e que ambos finalmente seriam remidos.

O que provavelmente estava acontecendo é que, com estas heresias eles estavam angariando para si muitos seguidores, e pelo fato destas práticas imorais se multiplicarem através dos muitos seguidores,  o caminho da verdade era infamado.

Certamente, todo tipo de propaganda que satisfaça as necessidades imediatas do homem, mesmo que lícitas, resultará em grande número de adeptos. No caso, o texto indica que as práticas eram “libertinas” dando liberdade á vontade da carne e do coração, que segundo a palavra de Deus são corrompidos.

No entanto, mesmo que a propaganda não seja ilícita, mas ofereça algum tipo de vantagem para os ouvintes, eles se avolumarão espantosamente.

Isto ocorreu até mesmo com o Senhor Jesus, que mesmo pregando a verdade, muitos o procuravam apenas por causa dos pães que Jesus multiplicava, pois Jesus mesmo disse no evangelho de João cap.6:

v. 26 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.

E depois de Jesus lhes falar muitas verdades a cerca disto, lemos:

v. 60 Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

E finalmente: v. 66 À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.

Entendemos com isto, que a multidão está atras de satisfazer os seus próprios interesses, no caso “comer o pão e se fartar”, sabendo disto, os falsos mestres se utilizam de meios que satisfazem as necessidades imediatas dos seus ouvintes, e naturalmente sempre haverão muitos seguidores. No caso do nosso texto, a “prática libertina” certamente era algo que atrairia muitos seguidores, pois o texto nos diz que “muitos seguirão as suas práticas libertinas”.

No caso de Jesus, vimos como que o discurso sincero, dispersou os ouvintes interesseiros, e se continuássemos com a leitura no evangelho João, veríamos como que permaneceram com Jesus apenas os seus verdadeiros discípulos, que no caso, eram poucos.

Em outra passagem já citada, Jesus mesmo disse que “muitos” naquele dia dirão: Senhor, Senhor!!! Como lemos:

22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. (Mt 7:22-23)

De fato, só podemos concluir que uma das características dos falsos mestres é que eles sempre terão “muitos seguidores“, até porque “larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela” conforme Jesus mesmo nos disse no evangelho de Mateus cap.7:

13 Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), 14 porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. (Mat.7:13-14)

E neste contexto Jesus está tratando dos falsos profetas pois no verso seguinte ele diz:

15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.

Finalmente, estes falsos mestres, que surgem no meio do povo, introduzem heresias destruidoras e fazem muitos seguidores, acabam, movidos por avareza, fazendo comércio do povo.

4.4 – 4a CARACTERÍSTICA:“OS FALSOS MESTRES FAZEM COMÉRCIO DO POVO”

v.3  também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.

Outra característica que o texto nos apresenta a cerca dos falsos mestres, é justamente a grande motivação que os impulsiona: a de  “fazer comércio (de vós) do povo”.

Fazer comércio significa literalmente “fazer dinheiro com”. É a mesma palavra usada para um “viajante mercador”, transmitindo a idéia de comerciar, explorar, lucrar ou mesmo espoliar as pessoas. E tudo isto movido por “avareza” que  sig. “ganância” ou “apetite insaciável.”

Interessante que tudo isto era feito através de “palavras fictícias“. Que pode ser traduzida como palavras “fingidas” ou “artificiais”. A expressão no original é “plastos” a mesma usada para o subst. “plástico”, ou seja, as palavras destes falsos mestres eram forjadas e modeladas segundo os interesses de cada um, assim como se modela um plástico. Com isso vemos que esta palavra não era uma palavra firme e inalterável, mas uma palavra totalmente manipulada segundo os seus interesses.

Esta expressão se torna cheia de sentido no contexto, pois eles “farão comércio do povo com palavras fictícias”, ou seja, para retirar dinheiro das pessoas seria preciso modelar a mensagem proferida.

No caso, certamente seria uma palavra de bajulação, com o intuito de agradar, pois isto é comum entre os falsos profetas e mestres, ou seja, agradam o povo para poder retirar deles o que quiserem.

Mesmo no passado, os “falsos profetas” bajulavam o povo “curando superficialmente a ferida do povo” e faziam isto movidos por ganância, conforme disse Jeremias:

13  …porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. 14 Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.(Jer. 6:13-14)

Judas, na sua carta, diz que estes falsos mestres são aduladores dos outros por motivos interesseiros:

16 Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros. (Judas v.16)

O apóstolo Paulo na carta á Timóteo, ao tratar dos falsos mestres que “ensinavam outra doutrina” diz que estes homens supõem que a piedade é fonte de lucro:

3 Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, 4 é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, 5 altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. (1 Tim. 6:3-5)

Esta característica dos falsos mestres, a de fazer comércio com o povo, tem uma ligação muito forte com palavras de bajulação, por isto o Apóstolo Paulo, mostrando-se não ser como estes falsos mestres, diz que nunca usou de “linguagem de bajulação” nem de “intuitos gananciosos”:

3 Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; 4 pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração. 5 A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. 6 Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.(1 Tess. 2:3-6)

Mais uma vez Pedro encerra outro versículo nos dando a garantia de que estes falsos mestres serão julgados. Pois o “juízo lavrado a tanto tempo não tarda” e a “destruição não dorme”. Isto significa que o juízo pronunciado há tanto tempo no Antigo Testamento está iminente, isto significa literalmente que este juízo “desde a antigüidade não tem sido ocioso”. Novamente a expressão “destruição” é usada para se referir ao fim dos falsos mestres, e agora o apóstolo  acrescenta que esta destruição “não dorme” ou “não dormita” mesma expressão aplicada ás virgens sonolentas de Mateus 25:5. Ou seja, de fato Deus está atento a todas as suas obras e nada ficará impune.

De fato, os falsos mestres tem esta característica muito marcante, “fazer comércio com o povo” e para isto se utilizam de “palavras fictícias (artificiais e fingidas)”, mas certamente que de todas estas coisas, eles serão julgados.

5. CONCLUSÃO e APLICAÇÃO:

Acabamos de ver algumas características dos “falsos mestres”. O Apóstolo Pedro nos previne e nos orienta, ao mostrar as suas características. Observando este texto,  podemos ver as características dos falsos mestres:

1.    Eles surgem no meio do povo.

2.    Eles introduzem dissimuladamente heresias destruidoras.

3.    Eles fazem muitos seguidores.

4.    Eles fazem comércio do povo.

No texto, estas expressões estão no futuro, “haverá no meio de vós”, “introduzirão heresias”, “farão comércio”… Por meio desta profecia nós somos previamente alertados pelo Apóstolo Pedro, para que possamos detectar em nossos dias as características destes falsos profetas.

De fato eles surgem do meio do povo. Eles estão misturados entre o povo. Muitas vezes é difícil de detectá-los. Usam o rótulo de evangélico, usam o texto da Bíblia (ainda que usam o texto como pretexto). As terminologias usadas são semelhantes, e tudo é em nome de Jesus.

No entanto, conforme o texto nos previne, podemos ver que nos dias de hoje eles ainda introduzem  dissimuladamente heresias destruidoras. E isto ocorre “até ao ponto de negarem ao Senhor”, pois as implicações daquilo que muitas vezes ouvimos de certos líderes evangélicos, se constituem na própria negação do Soberano Senhor.

E não é atoa que eles tem muitos seguidores. Pregam exatamente aquilo que o povo quer ouvir. As pessoas não são chamadas ao arrependimento e santidade de vida.

Assistindo a alguns “cultos” vemos que buscar a Deus se confunde com “buscar dinheiro, prosperidade e curas”. Os templos estão cheios de “gente” e não de “crente”. Estão a procura das bênçãos de Deus e não do Deus das bênçãos.

Finalmente vimos que estes falsos mestres “fazem comércio com as pessoas”. E é exatamente isto que vemos nos nossos dias também. No final de cada culto vemos um apelo, e já não é mais um apelo para as pessoas “irem até Cristo”, mas para levarem algum dinheiro até o púlpito. As pessoas são extorquidas a darem tudo o que tem. E como vimos, eles fazem isto “com palavras fictícias“, ou seja, modelam e torcem a verdade de Deus segundo seus próprios interesses.

Constatando todas estas características nos dias de hoje, estamos prevenidos e vacinados contra estes falsos mestres, para que, como disse o Apóstolo Paulo “…não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Ef. 4:14)

E finalmente podemos ter certeza de que para eles “o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.” Deus julgará cada um segundo as suas obras.