A Cidade de Deus e a Cidade dos Homens – Missões Urbanas

CIDADE DE DEUS

Este título foi inspirado na obra de Agostinho de Hipona “A Cidade de Deus” onde o mesmo faz um contraste entre duas cidades, a de Deus e a dos homens: “Dois amores erigiram duas cidades, Babilônia e Jerusalém : aquela é o amor de si até ao desprezo de Deus ; esta, o amor de Deus até ao desprezo de si”. Santo Agostinho, A Cidade de Deus, 2, L. XIV, XXVIII

Nos primeiros capítulos do livro de Gênesis vemos o registro da edificação  das primeiras cidades quando lemos: “Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.” (Gn 4:17). Esta geração é identificada na Bíblia como a geração dos “Filhos dos Homens”. Uma geração ímpia que pela graça comum se destacava por serem os primeiros engenheiros na edificação de cidades (4.17), na construção civil: edificação de tendas (4.20), na agropecuária: criação de gado (4.20), esta geração desenvolveu a música e a criação de instrumentos musicais como harpa e a flauta (4.21), foram também artesões dominando técnicas para o uso do bronze e do ferro (4.22). Estes “Filhos dos Homens” edificavam a “Cidade dos Homens”.  E assim como hoje, apesar de todo o conhecimento e desenvolvimento humano, esta geração vive de maneira autônoma de Deus, espiritualmente confusos e caminham distantes e afastados de Deus. Mas paralelamente lemos que neste mesmo mundo se desenvolve uma outra geração, a dos “Filhos de Deus”. No lugar de Abel Deus concede um novo representante chamado Sete e depois Enos. Esta geração é a dos que invocam o nome de Deus (4.26).

Estas duas gerações vivem juntas, mas seguem destinos bem diferentes “Não peço que os tires do mundo… e, estão no mundo mas não são do mundo”, disse Jesus. Vivem no mesmo mundo mas de forma bem diferente. Santo Agostinho, definindo o conceito de cidade em sua obra diz: “Civitas, concors hominum multitudo”. (Epist., Olim LII.). Cidade é a reunião dos homens em comunhão de coração, ou, em outros termos, cujos corações se possuem do mesmo amor. Os homens são unidos ou desunidos em função do amor. Dois homens que compartilhem o mesmo amor estão unidos; dois outros que o não compartilhem, estão desunidos. Uma é natural e a outra é espiritual.  Uma ama a si mesmo até o desprezo de Deus, e a outra ama a Deus até ao desprezo de si mesmo.

Os “Filhos de Deus” tem um grande desafio: Estender as fronteiras da “Cidade de Deus”, alargar a tenda sobrepondo assim a “Cidade dos Homens”. Esta é a “Missão Urbana” que se cumpre na vida de cada igreja, na vida de cada filho de Deus na medida que levamos a graça transformadora de Deus aos “Filhos dos Homens”, transformando  a cidade que habitamos. Devemos orar dizendo “Venha o Teu Reino” e literalmente levar este Reino aos Filhos dos Homens, para que o Senhor reine em Seus corações.

A “Missão Urbana” nasceu no coração de Deus. A Bíblia se refere às cidades como organismos vivos! Deus se interessa pelas cidades, referindo-se naturalmente aos seus habitantes. Cada cidade tem sua identidade, sua história, seus dilemas. Deus se compadeceu de Nínive que se arrependeu e atendeu à mensagem transformadora que lhe foi enviada. Por outro lado as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas. Jesus caminhava pregando o Reino de Deus de “cidade em cidade” e os apóstolos almejavam alcançar determinadas cidades com a mensagem do Evangelho. Durante a história do Cristianismo muitas cidades foram transformadas com a mensagem do Evangelho. Quando uma igreja nasce em uma determinada cidade, ela nasce com um propósito que brotou primeiramente no coração de Deus. A missão da igreja é alcançar a cidade, testemunhar o amor e a graça de Deus aos habitantes desta cidade e progressivamente cumprir sua “Missão Urbana” estendendo geográfica e etnicamente sua mensagem redentora alcançando outros povos até os “confins da terra”, como lemos em Atos dos Apóstolos: “…e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” Atos 1:8

A Paixão de Jesus pelas cidades deve nos contagiar, pois já em seu tempo, era na cidade que se concentrava o maior número de pessoas, e foi na cidade que Jesus desenvolveu o Seu ministério. A Bíblia registra dois momentos em que Jesus chorou: no enterro de Lázaro e sobre uma cidade: Jerusalém. Do indivíduo para o grupo, da família para toda a cidade. Devemos pensar individualmente, em cada família da cidade, mas devemos pensar também coletivamente em toda a nossa cidade. Jesus chorou por Jerusalém e creio que a igreja deve chorar, lamentar, interceder e cumprir sua missão em sua cidade. A Paixão de Cristo deve gerar compaixão em nós pelas pessoas e almas perdidas da nossa cidade. Lembrando todavia que, a motivação da nossa missão não é um amor humanista, altruísta e quase meritório como muitas vezes vemos, mas sim, o próprio amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado. O amor de Cristo deve nos constranger a amar os perdidos. Por amor a Deus é que uma igreja deve amar a sua cidade. Foi dito para Pedro “Tu me amas? Então apascenta as minhas ovelhas!” Hoje ainda é dito à igreja: “Tu me amas? Então apascenta as minhas ovelhas!” Lembrando que ainda há muitas outras ovelhas que não estão no aprisco!! Logo, uma “igreja que não tem compaixão pela sua cidade, é uma igreja que ainda não experimentou a Paixão de Cristo”. O problema de uma igreja que não cumpre a sua Missão, não é um problema primeiramente de estratégia, metodologia, falta de recursos, etc… mas o real problema desta igreja é a falta de amor à Deus!

Já somos mais de sete bilhões de pessoas no planeta, sendo que a grande maioria vive nas cidades (média de 80%). Muitos ainda vivem sem experimentar o amor e a graça transformadora de Deus. Estão construindo a “Cidade dos Homens” sem conhecer a “Cidade de Deus”. Vamos ver nesta série de mensagens como que a “Graça de Deus transforma a Cidade dos Homens”. Durante cinco domingos veremos:

  1. A Paixão pela Cidade 13.10
  2. A Visão da Cidade 20.10
  3. A Intercessão pela Cidade 27.10
  4. A Missão na Cidade 03.11
  5. A Transformação da Cidade 10.11

“Dois amores fazem duas cidades: uma é terrestre, obra do amor de si até ao desprezo de Deus; a outra, celeste, obra do amor de Deus até ao desprezo de si.” Agostinho de Hipona

Clipe da Série:

1a Mensagem: A Paixão pela Cidade

2a Mensagem: A Visão da Cidade

3a Mensagem: A Intercessão da Cidade

4a Mensagem: A Missão na Cidade (1a Parte)

5a Mensagem: A Missão na Cidade (2a Parte)

6a Mensagem: A Transformação da Cidade

Participe de nossas reuniões on-line aos domingos 19h: https://new.livestream.com/accounts/3496087/events/2469563

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