A Comunicação no Período da Pré-Reforma

joaoCalvinoEstudandoA propagação do Calvinismo no século XVI se deu de forma muito rápida e eficiente. Muitas vezes as idéias de Calvino suplantavam as de Lutero e frutificavam em regiões tão diversas como as da França, Escócia, Holanda e Hungria. Para compreender esta questão da comunicação é preciso admitir que a transmissão de idéias, depende muito da sociedade em que elas são expressas. Os meios de comunicações atuais estão bem desenvolvidos, no entanto, na época de Calvino as coisas eram bem diferentes. Para entendermos melhor como as suas idéias foram transmitidas precisamos compreender os antecedentes sociais da Reforma e o desenvolvimento dos meios de comunicação.

Houve muitos acontecimentos sociais antes da Reforma que mudaram a Europa. Tragédias como a Peste Negra, movimentos como a Renascença iniciada no século XIV, descobertas geográficas, principalmente a da América, assim como outros acontecimentos ocorreram de forma que por volta de 1500 a Europa era um Continente muito diferente. Certamente estas mudanças todas tiveram sua influência sobre o padrão de comunicação. A grande maioria de pessoas eram analfabetas e a sociedade medieval era uma sociedade basicamente oral e visual.

Até que a redescoberta da literatura clássica, despertou um novo interesse pela educação e pela cultura. Um novo grupo de leitores começou a surgir, até que, com a invenção da imprensa houve uma revolução no padrão de comunicação. No início a imprensa era feita com blocos de madeira e por volta de 1450, João Gutenbergue desenvolveu na Alemanha uma liga de metal que permitiu fazer tipos móveis de blocos e  isto revolucionou significativamente o processo de impressão. Já no século dezesseis uma das suas características foi a aceleração do processo que se iniciou cerca de cinqüenta ou cem anos antes. Houve uma aceleração no desenvolvimento do comércio com seu conseqüente estímulo ao crédito, operações bancárias e investimentos. Estas mudanças econômicas produziram mudanças nas relações das classes sociais assim como em sua distribuição geográfica.

Neste tempo houve muitas diferenças e conflitos ideológicos, no entanto, a maior das mudanças intelectuais veio com a Reforma, iniciada com Lutero ao fixar as suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenbergue. Estas teses foram traduzidas para o alemão e foram feitas inúmeras cópias graças a imprensa. A Reforma se alastrou tomando forma até na Suíça liderada por Zwínglio. Em Genebra muitos acontecimentos prepararam a implantação da Reforma. O Bispo foi expulso e o Duque de Sabóia precisou fugir, até que em 1535 Guillaume Farel, um pregador protestante chegou em Genebra onde logo tratou de implantar uma reforma religiosa.

O sucesso na disseminação das idéias de Calvino pode ter sido causado em parte próprio estilo, era um pensador e escritor sistemático. No entanto, houve alguns fatores circunstanciais de seu trabalho e uma situação que pela providência de Deus lhe deram condições para exercer sua influência ampla e efetiva.

Dentre os meios básicos usados por Calvino para disseminação de seus pensamentos, podemos destacar as suas pregações, seus cursos, seus contatos pessoais e principalmente seus escritos.

Além de seu trabalho como pregador, (pregava cerca de cinco vezes por semana, além de suas preleções Bíblicas) também atuava como professor. Desenvolveu um sistema educacional para crianças de onde finalmente surgiu a academia de Genebra, que recebia estudantes de vários países. Calvino também mantinha contato com homens e mulheres através de correspondências por toda a Europa. De seus escritos, destacamos as “Institutas da Religião Cristã” que certamente foi o mais importante. Era também um panfletário, pois através de inúmeros panfletos que escreveu, esclarecia o povo em vários assuntos, principalmente referentes a algumas doutrinas e práticas cristãs. Seus escritos, geralmente produzidos em Latim, logo eram traduzidos nas línguas vernáculas nos países que chegavam.

Finalmente, seu trabalho não era meramente um exercício teórico, pois ele era um homem prático que acreditava que o pensamento precisa produzir ação.

Fonte: “Calvino e sua Influência no Mundo Ocidental” org. por W. Stanford Reid. Capítulo 2 – A Propagação do Calvinismo no séc. XVI

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LOUVOR & ADORAÇÃO – Uma Perspectiva Histórica e Teológica

 

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“LOUVOR & ADORAÇÃO” Uma perspectiva histórica e teológica – Do Canto Gregoriano até os Cânticos contemporâneos.

Podemos oferecer para Deus como forma de Culto qualquer coisa exceto o que Ele proíbe na Bíblia ou devemos oferecer para Deus como forma de Culto apenas o que Ele ordena?

Resposta: “…o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”. A Confissão de Fé de Westminster, no cap. 21 art. 1

Os 5 (Cinco) Elementos de Culto de acordo com a Palavra de Deus:
1. Leitura Bíblica, 2. Exposição da Bíblia (pregação), 3. Oração, 4. Louvor, 5. Ministração dos sacramentos (batismo e Santa Ceia)

1o MÓDULO: 12/02 – RAZÃO X EMOÇÃO

2o MÓDULO: Quatro princípios da Adoração (Êxodo 20:1-11)
1. Quem devemos adorar (objeto)
2. Que forma devemos adorar (meios)
3. Como devemos adorar (modos)
4. Quando devemos adorar (tempo)

3o MÓDULO: LOUVAR: BENDIZER AS GRANDEZAS E OS FEITOS DE DEUS (Salmo 145)
“Se a busca da glória de Deus não for colocada acima da busca do bem humano nas afeições do coração e nas prioridades da igreja, o homem não será bem servido e Deus não será devidamente honrado.” John Piper (Alegrem-se os povos)

Porque não cantamos determinadas músicas ou não temos determinadas práticas no culto? Lembrando que, música de louvor é técnica e literalmente música em que cantamos as grandezas e os feitos de DEUS. Qualquer coisa diferente disso, não é louvor.

A IPB é uma igreja bíblica-reformada, e assim, acredita que devemos cantar as grandezas e os grandes feitos de Deus como lemos no Salmo 66, que nos convida a dar glórias a Deus e louvá-Lo dizendo: Dizei a Deus: Que tremendos são os teus feitos! Pela grandeza do teu poder.” (Salmo 66)  Louvar significa literalmente bendizer, e se o Culto é para o louvor de Deus, as músicas adequadas para louvor são somente aquelas que exaltam os grandes feitos e a grandeza de Deus e não do homem. Os Salmos nos ensinam isso, leia atentamente o Salmo 145:

1 Exaltar-te-ei, ó Deus meu e Rei; bendirei o teu nome para todo o sempre. 2 Todos os dias te bendirei e louvarei o teu nome para todo o sempre. 3 Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável. 4 Uma geração louvará a outra geração as tuas obras e anunciará os teus poderosos feitos.  5 Meditarei no glorioso esplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas. 6 Falar-se-á do poder dos teus feitos tremendos, e contarei a tua grandeza. 

Qualquer outra ênfase musical pode ser útil para entretenimento pessoal, mas nunca para conduzir o podo de Deus em louvor e adoração. Acreditamos que “As pessoas estão morrendo famintas da grandeza de Deus, mas muitas delas não fariam este diagnóstico de suas vidas perturbadas” John Piper.  Assim, somente o verdadeiro louvor poderá restaurar a saúde espiritual das igrejas. Assista uma mensagem no Salmo 145:

4o MÓDULO: CANTANDO AS VERDADES DE DEUS OU AS MENTIRAS DOS HOMENS?(Características dos Falsos Profetas – Exposição de 2a Pedro 2.1-3)

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;”  (2a Pedro 2:1-3)

Quatro Características dos Falsos Mestres:

  1. Eles surgem no meio do povo.
  2. Eles introduzem dissimuladamente heresias destruidoras.
  3. Eles fazem muitos seguidores.
  4. Eles fazem comércio do povo.

Teologia da Prosperidade, Confissão Positiva (Declarar, decretar, e determinar prosperidade e cura) e muitas outras heresias do nosso tempo que são disseminadas através da música, e muitos cristãos não atentam para isso.

 

UMA AVALIAÇÃO ATUAL DA MÚSICA GOSPEL BRASILEIRA:
LOUVOR

A música GOSPEL em cinco categorias, com sua ênfase de acordo com cada contexto em que foi composta, refletindo suas respectivas teologias e crenças, em uma escala de qualidade progressiva:

1o. Ênfase Neo-pentecostal: (Cântico triunfalista, enfatiza o sucesso do homem em detrimento da glória de Deus. De acordo com sua teologia, seus cânticos nos ensinam a determinar e exigir as bênçãos de Deus, o homem é senhor de sua história e destino, Deus é servo. Gera frustração, decepção e abandono da fé a longo prazo).
2o. Ênfase Pentecostal: (Obsessão por cura e vitoria, ensina e estimula a tomar posse da bênção, faz declarações de curas e vitórias humanas em detrimento da dependência de Deus, não leva o adorador à humildade, não enfatiza mudança e transformação de vida, nem submissão à vontade soberana de Deus. Um pouco menos pior que a anterior, mas ainda assim, ensina que o homem é senhor de sua história e destino e Deus é um servo. Gera frustração, decepção e desânimo na fé, ao enfrentar a realidade da vida e a longo prazo também pode levar o cristão a abandonar sua fé).
3o. Antibíblica e antropocêntrica: (Centrada no homem, enfatiza os atos dos homens e não os atos de Deus, canta-se o que os homens fazem, falam, tocam, pisam, sobem, descem, etc. Não se canta os atos e as grandezas de Deus, não tem nada com o Deus soberano e todo poderoso da Bíblia. O homem continua sendo o protagonista e Deus coadjuvante na história de sua vida, não gera transformação, confiança e nem dependência de Deus.)
4o. Bíblica, mas técnica e teologicamente pobre: (Correta em sua ênfase nos atos de Deus e não nos atos do homem, enfatiza a grandeza e o poder de Deus, procura promover a dependência e a confiança em Deus, no entanto, muito pobre em sua letra e arranjos, geralmente com repetições excessivas formando um mantra gospel. Em tudo é pobre! Deus merece mais!)
5o. Bíblica e tecnicamente rica: (Correta em sua ênfase nos atos de Deus e não nos atos do homem, busca-se a glória de Deus e não do homem, enfatiza a confiança e dependência em Deus e Seus planos e não nos nossos. Contém riqueza poética, na melodia e nos arranjos. Teologicamente consistente e tecnicamente rica, pois Deus merece o melhor! Gera humildade no adorador, transformação do homem e submissão à soberana vontade de Deus, gera confiança e dependência ao Deus da Bíblia que é amoroso, justo e fiel! Não são apenas os cânticos antigos, mas alguns cânticos contemporâneos são elevados e suprem estes requisitos, basta procurar.
Em resumo, cantamos o que cremos. Boa música sacra, exige necessariamente boa teologia, pois cantamos a nossa fé! Precisamos respeitar a fé dos outros mas é no mínimo esquizofrênico querer ser membro de uma igreja reformada, como a Igreja Presbiteriana do Brasil por exemplo, e cantar a fé de outras vertentes. Queremos apresentar o melhor para Deus e assim evoluir progressivamente até alcançar a excelência para a glória de Deus.
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UMA PALAVRA FINAL DE EQUILÍBRIO, EVITANDO OS EXTREMOS SOBRE PRÁTICAS LITÚRGICAS NA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL – IPB

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No louvor é que geralmente as igrejas se afastam da vontade de Deus no Culto, introduzindo uma série de práticas estranhas e não ordenadas por Deus, como coreografias, danças, apresentações exageradas, palmas coreografadas, ritmadas, encenações, etc. Enfatizamos que o pastor é responsável pela liturgia e deve ter bom senso e equilíbrio para conduzir os trabalhos de forma que o Culto seja Bíblico, mas também não pode ser um execício árido, sem sinceras emoções, desprovido de arte e beleza que glorifiquem nosso Deus, edifiquem a igreja e alcancem novos convertidos.
Quanto a questão de conjuntos, grupos e corais, devemos tomar muito cuidado com os extremos. Por um lado, corre-se o risco de transformar as apresentações em shows a parte, centralizando e tomando a maior parte do Culto, e por outro lado, deve-se ter cuidado para não ir para o outro extremo, pois algumas igrejas e movimentos dentro da IPB procuram banir estas práticas litúrgicas (proibindo instrumentos, corais, grupos de louvo, etc) de forma que acaba promovendo um maior prejuízo e divisão dentro da denominação. Acredito no equilíbrio, pois ensinando e educando o povo com consistência Bíblica e bom senso, podemos cultuar a Deus de forma saudável, edificante e de forma que tudo seja para a glória de Deus.

Decisão do Supremo Concílio da IPB de 2008 sobre o cuidado que devemos ter com os dois extremos (práticas neo-pentecostais e práticas neo-puritanas):

CE-SC/IPB – 2008 – Doc. CXCIII – Quanto ao documento 202 – Proveniente do Presbitério Sul Paulistano – Sínodo de Piratininga – Ementa: Consulta do Presbitério Sul Paulistano Sobre Práticas Neo-Puritanas.

Considerando:

1. Que as práticas elencadas pelo PSPA tais como: cântico exclusivo de salmos, proibição de mulheres cristãs de orarem nos cultos da Igreja, proibição de instrumentos musicais e de corais nos cultos não encontram amparo nos símbolos de fé da Igreja e nem nos Princípios de Liturgia que regem o culto na Igreja Presbiteriana do Brasil; 2. Que a Igreja Presbiteriana do Brasil é historicamente uma Igreja litúrgica, e que tem primado por um culto solene, embasado nas Sagradas Escrituras conforme interpretado pelos seus símbolos de fé;

A CE-SC/IPB-2008 RESOLVE:

1. Lamentar que as restrições esposadas por aqueles que defendem tais práticas estejam trazendo confusão no seio do povo presbiteriano;

2. Determinar aos pastores que observem os Princípios de Liturgia da Igreja Presbiteriana do Brasil como parâmetro litúrgico para os cultos em suas igrejas, bem como os fundamentos teológicos do culto esposados pela Confissão de Fé de Westminster e seus Catecismos Maior e Breve como norteadores para uma sadia teologia do culto;

3. Determinar aos concílios da Igreja Presbiteriana do Brasil que velem pela execução da liturgia reformada, conforme expressa nos Símbolos de Fé e Princípios de Liturgia adotados pela IPB, repelindo todas as práticas estranhas a eles, quer sejam elas Neo-Puritanas de restrição de genuínos atos litúrgicos, quer sejam de acréscimos de práticas antropocêntricas Neo-pentecostais.

 

#PrayForAleppo #PrayForSyria

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Aleppo é a maior cidade da Síria e tem mais de 2 milhões de habitantes. O clamor recente por Aleppo se justifica devido o impressionante número de civis que estão sendo atingidos pelo conflito na região, mas desde a explosão da violência na Síria, em março de 2011, a guerra passou por uma escalada até se converter em um complexo “todos contra todos” entre governo, rebeldes, radicais islâmicos e potências estrangeiras. Por isso, esta não é uma guerra comum, e para compreender um pouco esta crise, ou pelo menos saber quem são os envolvidos, segue um breve esboço de quem apoia quem.

Primeiramente precisamos saber que as tropas do presidente sírio, Bashar Al-Assad, lutam contra cerca de mil grupos rebeldes, que teriam 100 mil combatentes. Alguns com forte tendência extremista e com vínculos com a Al-Qaeda. Em 2014 o “Estado Islâmico” entrou no conflito e luta contra todos, tanto contra o governo como os rebeldes. Este mapa do conflito pode mudar a qualquer momento, conforme avançam os conflitos, mas ajuda a ter uma visão panorâmica do problema:

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Envolvidos no conflito:

1. Estados Unidos* (Com apoio do Canadá, França, Reino Unido e vários países árabes)

Opõe-se a: Bashar Al-Assad e Estado Islâmico (EI).

Apoia: grupos rebeldes considerados moderados e os curdos.

*Possivelmente muita coisa vai mudar com a eleição de Donald Trump em 2017.

2. Rússia

Opõe-se a: Estado Islâmico e outros rebeldes.

Apoia: Bashar Al-Assad.

3. Irã

Opõe-se a: Estado Islâmico e insurgentes sunitas

Apoia: governo de Bashar Al-Assad

4. Arábia Saudita

Opõe-se a: Bashar Al-Assad.

Apoia: rebeldes sunitas.

5. Turquia

Opõe-se a: governo de Bashar Al-Assad e separatistas curdos.

Apoia: coalizão liderada pelos EUA e rebeldes.

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1a Timo 2.1-4)

Mais informações e Fontes:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151120_siria_entenda_tg

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38269558

Como ajudar o povo da Síria:

Aleppo está em chamas. Como ajudar?

 

17/12 Dia do Pastor – Um pioneiro e um violeiro

Em 1865, no dia 16 de dezembro, o missionário Presbiteriano americano que trabalhava em terras brasileiras, Ashbel Green Simonton (1833-1867) juntamente com outros missionários organizou o primeiro presbitério do Brasil chamado Presbitério do Rio de Janeiro, apesar de ser em São Paulo, na casa de A. L. Blackford. Nesta mesma data, o ex-padre José Manoel da Conceição (1822-1873) convertido ao evangelho, se apresenta ao presbitério com vistas ao Sagrado ministério, e no dia seguinte (17/12/1965) após e sermão de Conceição e parênese de Simonton, foi ordenado o primeiro pastor protestante brasileiro, o Rev. José Manoel da Conceição.

A data de 17 de Dezembro se tornou o “Dia do Pastor” no Brasil, devido a história deste pioneiro, Rev. Conceição. Ex-padre, Conceição era um pregador muito culto e que encontrou conforto espiritual na fé protestante presbiteriana. Teve uma vida abnegada, pregava o evangelho de cavalo, nas cidades e fazendas do interior de São  Paulo. Através do seu trabalho foi organizada a terceira igreja presbiteriana do Brasil (primeira do interior) na cidade de Brotas/SP. Pregador itinerante, mesmo com sua saúde debilitada, viajava incansavelmente pelas estradas empoeiradas do interior de São Paulo. Em 1873 foi encontrado já moribundo na beira da estrada, foi recolhido pelas autoridades mas não resistiu e veio a falecer dia 25/12/1873 quando quase foi enterrado como indigente. Muitas almas conheceram a fé salvadora do evangelho puro e simples, através de seu trabalho e sacrifício. É muito justo que o dia do pastor no Brasil faça referência a este nobre homem.
Fotos: Este pequeno livro foi escrito no centenário da vida do Rev Conceição por Vicente Themudo Lessa. Esta edição é uma das mais antigas (1923) bem preservada e intacta, pertenceu ao famoso compositor Ochelsis Laureano , discípulo de Heitor Villa-Lobos. Sua filha, Dna Marcis Laureano me presenteou juntamente com muitas outras obras de valor inestimável e vários esboços de seus sermões. Impressionante como as histórias se cruzam e se perpetuam. Já se passaram quase 100 anos desde que este livreto foi escrito em homenagem ao centenário de Conceição. Em poucos anos celebraremos 200 anos do nascimento de Conceição.
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Foto: Esboços de estudos sobre a vida do Rev Conceição feito de próprio punho pelo Sr Ochelcis, quando pregava e dava aulas de Escola Bíblica nas igrejas que pertencia.
Um pioneiro e um violeiro, duas histórias que se cruzam. Ochelcis Aguiar Laureano foi violeiro, compositor e cantor. Nasceu em 01 de maio de 1909 em Rio Acima, pertencente ainda a Sorocaba, onde hoje é a cidade de Votorantim-SP. Faleceu em 16 de janeiro de 1996. Sobre a vida de compositor, destaca-se sua criatividade múltipla que, para além da música caipira e da poesia, levou-o, também, a compor músicas sacras, fazer regência de coral e lecionar música, lembrando que Ochelsis fez estudos musicais e de regência coral na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, com Heitor Villa-Lobos. Nas igrejas, além de músico e compositor, era também pregador e dedicado professor. Seus esboços de estudos e sermões foram preservados, todos manuscritos. Duas histórias que se cruzam, a de um pioneiro e a de um violeiro.

COMO A REFORMA PROTESTANTE TRANSFORMOU O MUNDO OCIDENTAL

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Do livro: “Calvino e sua Influência no Mundo Ocidental” org. por W. Stanford Reid. Seus 16 capítulos nos mostram, de forma resumida e panorâmica, como que a Reforma Protestante se espalhou pelo mundo ocidental, especialmente através dos cristãos calvinistas, transformando e formatando a sociedade ocidental:

  • CAPÍTULO I – O CALVINISMO COMO UMA FORÇA CULTURAL
  • CAPÍTULO II – A PROPAGAÇÃO DO CALVINISMO NO SÉCULO XVI
  • CAPÍTULO III – SUÍÇA: TRIUNFO E DECLÍNIO
  • CAPÍTULO IV – A IDADE DE OURO DO CALVINISMO NA FRANÇA: 1533-1633
  • CAPÍTULO V – CALVINO E O CALVINISMO NOS PAÍSES BAIXOS
  • CAPÍTULO VI – A IGREJA REFORMADA DA ALEMANHA
  • CAPÍTULO VII – A REFORMA HELVÉTICA NA HUNGRIA
  • CAPÍTULO VIII – CALVINO E A IGREJA ANGLICANA
  • CAPÍTULO IX – PURITANISMO NA INGLATERRA
  • CAPÍTULO X – A CONTRIBUIÇÃO DO CALVINISMO NA ESCÓCIA
  • CAPÍTULO XI – ORIGENS “CRISTÃS” DA AMÉRICA:
  • CAPÍTULO XII – OS IRLANDESES-ESCOCESES NA AMÉRICA
  • CAPÍTULO XIII – O CALVINISMO HOLANDÊS NA AMÉRICA
  • CAPÍTULO XIV – A INFLUÊNCIA DE CALVINO NO CANADÁ
  • CAPÍTULO XV – O IMPACTO DO CALVINISMO NA AUSTRALÁSIA
  • CAPÍTULO XVI – O CALVINISMO NA ÁFRICA DO SUL

CAPÍTULO I – O CALVINISMO COMO UMA FORÇA CULTURAL

Calvincalvo compreendeu que em seu tempo a origem do Estado nacional moderno, o surgimento do comércio burguês internacional, o desenvolvimento da classe moderna e a expansão do mercado monetário exigiam a liberação do empréstimo de dinheiro a juro, oque era condenado pela Igreja Católica. Levantou-se também contra os abusos de poder e muitas outras questões de seu tempo. Com isso percebemos que o Calvinismo teve como propósito, não só a reforma na doutrina, na vida individual e na vida da Igreja, mas também a transformação de toda a cultura. No Calvinismo não há dicotomia entre cristianismo e cultura. Toda a vida inclusive a cultura tem sentido somente quando está sujeita a Deus e a Sua Lei. Vemos a atitude positiva do Calvinismo para com a cultura ao promover o gosto pelas artes Liberais, crendo que elas eram essenciais à formação do homem e ao desenvolvimento de sua humanidade. Também a retórica, as ciências naturais, a arte a música eram apoiadas por Calvino.

Continuar lendo “COMO A REFORMA PROTESTANTE TRANSFORMOU O MUNDO OCIDENTAL”

As Cinco Idéias que Reformaram o Mundo

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Mensagens da série “As Cinco idéias que Transformaram o Mundo”.

No dia 31 de outubro de 1517 um padre alemão fixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, dando início à maior transformação e verdadeira revolução que o mundo jamais viu. Libertando cada ser humano para se tornar aquilo para o qual foi criado. Estas cinco idéias sintetizam a mensagem da Reforma:

Sola Scriptura (Somente as Escrituras)
Sola Fide (Somente a Fé)
Sola Christus (Somente Cristo)
Sola Gratia (Somente a Graça)
Soli Deo Gloria (A Glória somente a Deus)

O impacto na sociedade foi profundo e abrangente, transformando a Arte, a Ciência, a Educação, etc. Com o protestantismo a ciência se libertou dos dogmas da igreja e pôde se desenvolver surgindo grandes nomes como Johannes Kepler, Isaac Newton, e muitos outros crentes e pais da ciência.
Pela primeira vez no mundo ocidental, foi criado um sistema unificado nacional de educação pública e compulsória tanto para meninos como meninas, na Alemanha, depois na Escócia com John Knox (1560) e aos poucos em quase toda Europa. As grandes e mais importantes universidades no mundo foram fundadas por protestantes reformados: Zurique, Estrasburgo, Genebra, Edimburgo, Amsterdã, Harvard, Yale, Princeton e muitas outras.

O Reformador João Calvino dizia: “O ESTUDO DA ASTRONOMIA NÃO DEVE SER REPROVADO, NEM A CIÊNCIA DEVE SER CONDENADA, PORQUE ALGUMAS PESSOAS DESESPERADAS TENDEM A REJEITAR QUALQUER COISA QUE LHES SEJA DESCONHECIDA”

Clipe da Série:

Introdução da Série:

Primeira Mensagem – Sola Escriptura

Segunda Mensagem – Sola Fide

Missão Urbana e Evangelismo Infantil pelos Primeiros Missionários Presbiterianos no Brasil – Pr Edgard Casolli Neto

Uma breve avaliação histórica tendo como fonte o Jornal “Imprensa Evangélica” nos seus dois primeiros anos de circulação no Brasil (1864-1865) 

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A experiência tem nos mostrado que negligenciar a educação das crianças no presente é um fracasso garantido no futuro. Isto se aplica tanto na educação religiosa, como na educação formal. O trabalho missionário e a plantação de novas igrejas só serão eficazes se atingirem toda a família, transmitindo um ensino consistente o bastante para perdurar por gerações. A implantação do presbiterianismo em terras brasileiras pelos primeiros missionários não negligenciou este princípio. Devemos olhar para o passado e aprender com os antigos missionários, com seus acertos e com seus erros. Quando olhamos para o passado e observamos alguns princípios imutáveis, nos sentimos mais seguros no presente e podemos olhar para o futuro com mais esperança. Faço aqui uma breve avaliação histórica para detectar qual a importância dada ao tema pelos missionários nos primórdios do presbiterianismo brasileiro. Especialmente, pelo seu pioneiro, Ashbel Green Simonton (West Hanover, 20 de janeiro de 1833 — São Paulo, 9 de dezembro de 1867).

Para isso, será avaliado o mais eficiente veículo de comunicação que eles possuíam na época, ou seja, o jornal “Imprensa Evangélica”. Concentrando-se nos dois primeiros anos de publicação deste periódico (1864-1865), será possível fazer uma avaliação da mentalidade dos missionários acerca deste assunto.

O autor é consciente de que este trabalho se trata apenas de uma amostragem do pensamento missiológico da época, na implantação do presbiterianismo no Brasil. No entanto, esta amostra pode nos despertar para estudos posteriores, assim como nos fazer refletir um pouco sobre o tema no tempo presente.

Protestantismo no Brasil

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Para compreendermos um pouco melhor o dinamismo do presbiterianismo trazido por Simonton, será útil um breve panorama histórico do protestantismo no Brasil.

Acredita-se ser verdade que as primeiras orações proferidas por evangélicos no solo brasileiro, se deram em 1548, quando um náufrago Luterano, Hans Staden, foi lançado nas praias do Brasil. Ao sobreviver a esta aventura, agradece a Deus dizendo:

“Foi assim que o Deus todo poderoso, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, ajudou-me a escapar da violência dos terríveis selvagens. A Ele, todo louvor e glória e honra, por meio de Jesus Cristo, Seu filho querido, nosso Salvador. Amém”[1]

Trata-se de informações autobiográficas, de um incidente no Brasil, sem nenhuma tentativa de se estabelecer neste país.

vilA primeira tentativa de evangélicos se estabelecerem institucionalmente no Brasil, que se tem registro, se dá na implantação da França Antártica, na Baía do rio de Janeiro no ano de 1555, liderada por Nicolas Durand de Villegagnon (Provins, 1510 — Grez-sur-Loing, 9 de janeiro de 1571). O mesmo pediu para o reformador João Calvino enviar ao Brasil huguenotes que o ajudassem na sua empreitada. As intenções de Villegagnon se revelaram traiçoeiras e finalmente esta empreitada fracassou. Os huguenotes que para lá se dirigiram foram enviados de volta de navio e alguns que permaneceram foram mortos. Posteriormente, a história registra uma outra tentativa, a dos holandeses que conquistaram Olinda e o Porto de Recife em 1629 e implantaram ali o Calvinismo.

No entanto, este país católico começou a sofrer mudanças mais sólidas somente após a proclamação da independência e a coroação de D. Pedro I em 1822. Quando houve a convocação de uma Assembléia Constituinte, e em 25 de março de 1824, a Carta Constitucional foi outorgada, tolerando outra religião no país com liberdade de Culto. O Artigo 5º afirma:

“A religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.”

Já no Artigo 15º lemos:

“As outras religiões além da cristã (Católica Apostólica Romana) são apenas toleradas, e a sua profissão inibe o exercício dos direitos políticos.”[2]

Devido relações comerciais com países protestantes, começou a haver no Brasil o chamado protestantismo de imigração. Assim a liberdade religiosa foi aparecendo gradativamente. O primeiro missionário a vir para o Brasil implantar uma igreja genuinamente brasileira foi Robert Reid Kalley, que em 9 de abril de 1855, juntamente com a sua esposa Sarah Kalley, embarcaram na cidade Southampton, Inglaterra, com destino ao Rio de Janeiro. No entanto, a implantação do presbiterianismo com uma ênfase missionária mais profunda se deu pouco depois com a chegada do missionário americano Ashbel Green Simonton em agosto de 1859.

Ashbel Green Simonton

200px-AshbelGSimontonSimonton nasceu em um lar presbiteriano na cidade de West Hanover, Pensilvânia no dia 20 de Janeiro de 1833.  Iniciou seus  estudos em Direito, mas depois de certa relutância cedeu ao seu chamado e foi para o seminário de Princeton em 1855. Simonton foi despertado para missões ao ouvir um sermão do Dr. Charles Hodge (1797-1878) sobre o assunto.[3] No dia 25 de novembro de 1858, Simonton envia sua proposta formal para a Junta de Missões Estrangeiras, e pouco tempo depois é enviado ao Brasil.

Finalmente em 18 de junho de 1859, Simonton recém ordenado e com apenas 26 anos de idade, embarca no porto de Baltimore com destino ao Brasil. Chegando no Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. Em pouco tempo Simonton dominou a língua vernácula, e seu primeiro trabalho em português foi uma classe de Escola Dominical, com cinco crianças presentes. Assim ele escreve em seu diário:

“No último Domingo dia 22, realizei uma Escola Dominical em minha própria casa. Foi meu primeiro trabalho em português. As crianças dos Eubanks estavam presentes, bem como Amália e Mariquinhas Knaack. A Bíblia, o Catecismo de história sagrada e o “Progresso do Peregrino” de Bunyan, foram nossos textos.”[4]

Assim, começa o trabalho em português deste jovem missionário americano no Brasil destacando o fato de seu primeiro trabalho em português ser com crianças. Aos poucos Simonton recebe apoio de outros missionários e tem muitas conquistas neste país. Em pouco tempo, mas com muito trabalho, Simonton organiza a primeira igreja Presbiteriana no Brasil, no Rio de Janeiro em 12 de Janeiro de 1862. No dia 5 de novembro de 1864, Simonton publica, juntamente com outros amigos, o primeiro número do jornal Imprensa Evangélica. O primeiro jornal evangélico do Brasil e talvez da América Latina. [5]

Em 1865, no dia 16 de dezembro, Simonton juntamente com outros missionários, organizou o primeiro presbitério chamado Presbitério do Rio de Janeiro, apesar de ser em São Paulo, na casa de A. L. Blackford. Nesta mesma data, o ex-padre José Manoel da conceição (1822-1873) convertido ao evangelho, se apresenta ao presbitério com vistas ao Sagrado ministério, e no dia seguinte após e sermão de Conceição e parênese de Simonton, foi ordenado o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, o Rev. José Manoel da Conceição.

Simonton, antes destas conquistas, também teve suas tristezas. Em março de 1862, ele recebe notícias de que sua mãe está muito doente. Segue aos Estados Unidos mas não chega a tempo de ver sua mãe, que morre antes de sua chegada. Nos Estados Unidos, Simonton revê seus familiares e amigos, faz viagens e passa o natal deste ano na casa da família Murdoch. Em janeiro de 1863 Simonton declara em seu diário que está noivo de Helen Murdoch, se casam no dia 19 de março e finalmente no mês de maio o casal embarca rumo ao Brasil. No dia 19 de junho de 1864, nasce sua filha com o mesmo nome da mãe, Helen Murdoch. No entanto, alguns dias depois do nascimento da sua filha, sua esposa veio a falecer possivelmente devido complicações decorrentes do parto. Sua morte está registrada no seu diário dia 28 de junho de 1864. Assim ele escreve:

“Deus tenha piedade de mim agora, pois aguás profundas rolaram sobre mim. Helen está estendida em seu caixão na salinha de entrada. Deus a levou tão de repente que ando como quem sonha.”[6]

Sua filha fica sob os cuidados da irmã de Simonton, Elizabeth W. Blackford casada com o missionário Blackford, ambos morando no Brasil. No dia 9 de dezembro de 1867, Simonton veio a falecer em São Paulo, na casa de Blackford, muito doente e com uma febre muito forte. O diagnóstico do médico relata que o mesmo tinha uma “febre biliosa”.

Imprensa Evangélica

imprensa4

Dentre os feitos de Simonton, destaca-se a Imprensa Evangélica, o primeiro jornal evangélico do Brasil e provavelmente da América Latina.

Simonton juntamente com outros colaboradores e editores, publica o primeiro número do jornal no dia 5 de novembro de 1864. A sua influência não é alcançada por nenhuma outra agência empregada pela Missão.[7] Ainda nos preparativos para o lançamento do periódico, Simonton registra em seu diário as seguintes palavras acerca dos originais do jornal, que já estavam prontos no dia 25 de outubro de 1869:

“Ontem de manhã, Santos Neves e Quintana vieram até nossa casa receber os originais do primeiro número da Imprensa Evangélica, o jornal semanal que resolvemos publicar.”[8]

 De fato, o jornal deveria ser semanal, mas como Simonton mesmo afirma em seu diário, isto seria impossível. Finalmente o jornal acaba sendo  editado quinzenalmente. Junto com ele nesta empreitada estavam José Manoel da Conceição e Blackford na redação. Assim lemos:

“A imprensa Evangélica tem me dado muita ansiedade. Foi começada com o Padre Conceição eu e o Sr. Blackford na redação, deixando para Neves e Quintano a gerência. Foi programado para sair uma vez por semana. Poucos dias foram suficientes para mostrar a insensatez de tal plano e a certeza de ficarmos envolvidos em grandes perdas se não assumíssemos a gerência.”[9]

O periódico tinha 8 páginas e o primeiro número da Imprensa Evangélica, com a tiragem de 450 exemplares, foi impresso na Typographia Universal de Laemmert, no entanto, devido as ameaças que esta gráfica sofreu, o segundo exemplar foi publicado em outra gráfica, na Typographia Perseverança. [10] O propósito deste periódico é relatado pelo próprio Simonton em relatório ao Presbitério, ao dizer que este periódico foi publicado “como meio de levar o conhecimento de Cristo a muitos que não consentissem em freqüentar o Culto público.”[11]

Observa-se a preocupação do jovem missionário em atingir as pessoas que ainda não conheciam a Cristo e para isto usou este poderoso meio de comunicação da época, na tentativa de se comunicar com os não convertidos. O jornal era o primeiro contato dos não convertidos com o Evangelho.

Através deste jornal as pessoas eram evangelizadas e doutrinadas, pois os convertidos eram instruídos e edificados com a leitura deste periódico, que fez grande sucesso na época. O conteúdo era bem diversificado, trazia doutrinas, mensagens bíblicas e muitos artigos preciosos. Haviam textos dos próprios editores assim como traduções de outros autores. No final de cada edição, havia um tópico intitulado “Noticiário”, contendo notícias da Europa, América do Norte e de países de outros continentes.

O jornal “Imprensa Evangélica”, continuou a ser publicado mesmo depois da morte de A. G. Simonton em dezembro de 1867. Foi publicado durante 28 anos, de novembro de 1864 até julho de 1892. Seu último exemplar data 02/07/1892.

Imprensa Evangélica e Evangelismo Infantil

Dentre os vários assuntos tratados nas edições da Imprensa Evangélica, destaca-se a preocupação com a família. Na primeira edição (05/11/1864), segue o título “Instrução e Culto Doméstico” tratando sobre o “Pai nosso”. Neste tópico, feito de perguntas e respostas, a primeira palavra é dirigida aos filhos dizendo:

Meu filho, o que é orar? Resposta: É dizer a Deus tudo o que sentimos e pedir a ele em nome de Jesus o que precisamos. Os meninos podem dirigir-se a Deus com a mesma confiança com que se dirigem a seus pais.[12]

Esta coluna sobre “instrução e Culto Doméstico”, continua com o “Pai Nosso” em mais três números, o n.2 e o n.3 concluí o tópico. No final de cada tópico havia alguns versos para serem decorados referentes aos assuntos e um exemplo de oração. Esta coluna continua nas outras edições, variando o tema. O segundo tema, por exemplo, trata dos “Dez Mandamentos”.

Dentro desta ênfase aos pais para com a educação de seus filhos, na 3a edição, logo após o “Noticiário” ou seja, justamente o último artigo do jornal, há uma palavra dirigida aos pais intitulada: “Advertência aos Pais de Família”, assim está escrito:

“Confessadamente a instrução doméstica é coisa de primeira importância. De direito natural os pais são os legítimos tutores de seus filhos, e sobre tudo em matéria de moral e religião. Eles não podem de todo, resignar este direito, sem faltarem ao primeiro dever que lhes impõe a Lei, tanto natural como divina. Julgamos prestar um grande serviço oferecendo em cada número da Imprensa Evangélica, um artigo que possa indicar um método conveniente para a satisfação deste dever. Não será escusado dizer que fica completamente á disposição dos pais o fazer as perguntas a seus filhos, limitando-nos apenas a dar uma norma em nossos artigos.”[13]

Observamos a preocupação dos primeiros missionários em alcançar as crianças. Responsabilizando os pais no dever de conduzi-los aos pés de Cristo, afirmando que isto é uma “Lei tanto natural como divina”, e sugerindo aos pais que façam as “perguntas a seus filhos”.

Esta marca dos missionário e líderes nos primórdios do presbiterianismo brasileiro, para com a evangelização e educação das  crianças, fica mais evidente e se torna ainda mais intensa, a partir da 7a edição do jornal, com data de 04 de fevereiro de 1865. A partir desta edição até a edição de n.13, ou seja, durante 7 edições do jornal, foi publicado um “Breve Catecismo para meninos”, ocupando algumas vezes, mais de uma página.

Este catecismo continha 203 perguntas que os pais deveriam fazer a seus filhos, segundo a orientação e sugestão do jornal. Segue uma nota na primeira edição do catecismo dizendo:

“Sumamente gratos a digna senhora que nos ofereceu esta tradução do inglês, nós chamamos a atenção dos senhores pais de família para estas doutrinas tão puras e salutares; e o fazemos com a melhor da boa vontade, porquanto também nos lisonjeia a colaboração de tão eminente tradutora.”[14]

Além de citar parte da fonte, ou seja, uma “digna senhora” e “eminente tradutora”, que deve ter traduzido este catecismo, os editores também reafirmam a preocupação do jornal chamando novamente a atenção dos “pais de família” para “doutrinas tão puras e salutares”.

As 203 perguntas deste catecismo infantil, são simples e objetivas. A primeira edição de fevereiro de 1865, sai com as primeiras 32 perguntas, sendo que as duas primeiras perguntas apontam para o Deus criador e salvador:

        1. Quem vos creou? Resposta: Deus

        2. Quem vos remiu? Resposta: Jesus Cristo

Apesar deste catecismo para meninos ser simples o bastante para o entendimento de uma criança, ele praticamente trata de todas as doutrinas elementares da fé cristã, O Deus criador e salvador (Perg.1,2), a razão porque as crianças devem amá-lo sobre todas as coisas (Perg. 33), Trindade (Perg.42), o problema do pecado (Perg. 59), sobre o Pacto das obras e da graça (Perg. 76,77), a morte de Cristo (Perg. 118), trata também do juízo eterno, do inferno e do céu, sacramentos, etc.

Finalmente este catecismo se encerra na edição de n.13, com data de 6 de maio de 1864, e a última pergunta, a de n.203:[15]

          203. Qual será o resultado das vossas orações sinceras e vida santa? Resposta: O pleno gozo de Deus em Cristo, e triunfante louvor á Ele para sempre e sempre

Na edição de n.15, com data de 3 de junho de 1865, O jornal publica um artigo intitulado: “Regras para a Educação da criança”, e os editores prescrevem, acerca do artigo: “O que se segue é digno de ser impresso em letras de ouro, e posto em um lugar conspícuo em toda a casa”[16]  E o artigo segue com 14 regras, iniciando a 1a  regra dizendo:

           1. Desde a mais tenra infância das vossas crianças inculcai-lhes a necessidade da mais pronta obediência.

Assim, o texto segue pontuando uma série de regras, mostrando de maneira muito prática como se deve educar uma criança e educá-la nos caminhos do Senhor. Como a criança deve ser disciplinada, orientada, etc.

A preocupação de Simonton e de seus colaboradores pode ser observada em quase todas as edições da Imprensa evangélica. Na edição de n.18, com data de 1865, segue mais um artigo voltado para a evangelização e educação das crianças, com o seguinte título:

             “Daí a vossos filhos uma Bíblia e um ofício, e Deus seja com eles.”[17]

Mais uma vez é possível ver a preocupação que os missionários tinham com as crianças. Este artigo trata da vida da criança nos dois aspectos, ou seja, a “Bíblia” refere-se á educação religiosa e o “Ofício” á educação formal, até uma profissão secular, onde a criança segue sua vocação.

Conclusão

Com esta breve e sucinta avaliação dos dois primeiros anos da Imprensa Evangélica, podemos concluir que havia uma ênfase dos editores deste jornal, liderados por Simonton, para com a família e mais especificamente com a educação e evangelização das crianças. Trabalhar com os adultos e se esquecer das crianças é um erro grave, que os missionários não cometeram. Fica evidente também que, o principal responsável por conduzir a criança nos caminhos do Senhor não é a igreja e sim os pais. À igreja cabe conscientizar os pais deste dever, o que fizeram muito bem os missionários. A igreja coopera, capacita e auxilia os pais no nobre dever de conduzir os pequeninos aos pés de Cristo.

Estes valores e princípios ficam patentes através da avaliação destes artigos, que foram publicados no jornal que Simonton fundou e dirigiu juntamente com outros colaboradores. Esta preocupação dos primeiros missionários presbiterianos no Brasil evidencia que, de fato, os homens e mulheres que aqui trouxeram o evangelho eram visionários. Inculcar o evangelho nas crianças através de seus pais e responsáveis é fundamental para garantir o progresso do evangelho na geração seguinte.

O trabalho destes missionários nos primórdios do presbiterianismo brasileiro não foi em vão, pois as gerações seguintes deram continuidade aos esforços destes pioneiros.

Esta breve amostra nos faz refletir um pouco sobre a situação atual em que vivem muitas de nossas igrejas. Lamentavelmente vemos muitos filhos de fiéis se afastando do evangelho como nunca antes, e muitas vezes isso ocorre por não terem sido orientados pelos pais com o mesmo fervor e ênfase que os missionários deram no passado a este assunto. Que o exemplo do passado nos desperte para uma ação mais fervorosa no presente, visando colher melhores frutos no futuro.

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[1] STADEN, Hans A verdadeira História. Rio de Janeiro: Dantes Livraria, 1999. Pg.120. Citado por MENDES, Marcel (org.) Simonton, 140 anos de Brasil São Paulo: Ed. Mackenzie pg.16.

[2] Ver  CARDOSO, Douglas Nassif Robert Reid Kalley   Edição do Autor, pg.39 Ver também MENDES, Marcel (org.) op. cit.  pg.36. COSTA, Hermisten Maia Pereira da Simonton, um homem dirigido por Deus São Paulo: Ed. Mackenzie. Pg.9

[3] COSTA, Hermisten Maia Pereira Simonton, um homem dirigido por Deus São Paulo: Ed. Mackenzie. Pg.16

[4] SIMONTON, A. Green O Diário de Simonton 1852 – 1866 São Paulo: Cultura Cristã, 2002 pg.140

[5] COSTA, Hermisten Maia Pereira op. cit.. Pg.47

[6] SIMONTON, A. Green op. cit. pg.164

[7] FERREIRA, Júlio Andrade História da Igreja Presbiteriana do Brasil I São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992 pg.52. Júlio Andrade cita o relatório anual datado de 24 de janeiro de 1867.

[8] SIMONTON, A. Green op. cit. pg.168.

[9] SIMONTON, A. Green op. cit. pg.169.

[10] Ver COSTA, Hermisten Maia Pereira op. cit.. Pg.49

[11] Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 10/07/1866. Pg.6 e citado por COSTA, Hermisten Maia Pereira op. cit.. Pg.48

[12] Imprensa Evangélica n.1 (1864)  pg.2

[13] Imprensa Evangélica n.3 (1864)  pg.8

[14] Imprensa Evangélica n.7 (1865)  pg.8

[15] Imprensa Evangélica n.13 (1865)  pg.8

[16] Imprensa Evangélica n.15 (1865)  pg.8

[17] Imprensa Evangélica n.18 (1865)  pg.7