Reforma e Protestantismo no Brasil

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Acredita-se ser verdade que as primeiras orações proferidas por evangélicos no solo brasileiro, se deram em 1548, quando um náufrago Luterano, Hans Staden, foi lançado nas praias do Brasil. Ao sobreviver a esta aventura, agradece a Deus dizendo:

“Foi assim que o Deus todo poderoso, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, ajudou-me a escapar da violência dos terríveis selvagens. A Ele, todo louvor e glória e honra, por meio de Jesus Cristo, Seu filho querido, nosso Salvador. Amém”[1]

Trata-se de informações autobiográficas, de um incidente no Brasil, sem nenhuma tentativa de se estabelecer neste país.

A primeira tentativa de evangélicos se estabelecerem institucionalmente no Brasil, que se tem registro, se dá na implantação da França Antártica, na Baía do rio de Janeiro no ano de 1555, liderada por Nicolas Durand de Villegagnon (Provins, 1510 — Grez-sur-Loing, 9 de janeiro de 1571). O mesmo pediu para o reformador João Calvino enviar ao Brasil huguenotes que o ajudassem na sua empreitada. As intenções de Villegagnon se revelaram traiçoeiras e finalmente esta empreitada fracassou. Os huguenotes que para lá se dirigiram foram enviados de volta de navio e alguns que permaneceram foram mortos. Posteriormente, a história registra uma outra tentativa, a dos holandeses que conquistaram Olinda e o Porto de Recife em 1629 e implantaram ali o Calvinismo.

No entanto, este país católico começou a sofrer mudanças mais sólidas somente após a proclamação da independência e a coroação de D. Pedro I em 1822. Quando houve a convocação de uma Assembléia Constituinte, e em 25 de março de 1824, a Carta Constitucional foi outorgada, tolerando outra religião no país com liberdade de Culto. O Artigo 5º afirma:

“A religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.”

Já no Artigo 15º lemos:

“As outras religiões além da cristã (Católica Apostólica Romana) são apenas toleradas, e a sua profissão inibe o exercício dos direitos políticos.”[2]

Devido relações comerciais com países protestantes, começou a haver no Brasil o chamado protestantismo de imigração. Assim a liberdade religiosa foi aparecendo gradativamente. O primeiro missionário a vir para o Brasil implantar uma igreja genuinamente brasileira foi Robert Reid Kalley, que em 9 de abril de 1855, juntamente com a sua esposa Sarah Kalley, embarcaram na cidade Southampton, Inglaterra, com destino ao Rio de Janeiro. No entanto, a implantação do presbiterianismo com uma ênfase missionária mais profunda se deu pouco depois com a chegada do missionário americano Ashbel Green Simonton em agosto de 1859.

Ashbel Green Simonton

Simonton nasceu em um lar presbiteriano na cidade de West Hanover, Pensilvânia no dia 20 de Janeiro de 1833.  Iniciou seus  estudos em Direito, mas depois de certa relutância cedeu ao seu chamado e foi para o seminário de Princeton em 1855. Simonton foi despertado para missões ao ouvir um sermão do Dr. Charles Hodge (1797-1878) sobre o assunto.[3] No dia 25 de novembro de 1858, Simonton envia sua proposta formal para a Junta de Missões Estrangeiras, e pouco tempo depois é enviado ao Brasil.

Finalmente em 18 de junho de 1859, Simonton recém ordenado e com apenas 26 anos de idade, embarca no porto de Baltimore com destino ao Brasil. Chegando no Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. Em pouco tempo Simonton dominou a língua vernácula, e seu primeiro trabalho em português foi uma classe de Escola Dominical, com cinco crianças presentes. Assim ele escreve em seu diário:

“No último Domingo dia 22, realizei uma Escola Dominical em minha própria casa. Foi meu primeiro trabalho em português. As crianças dos Eubanks estavam presentes, bem como Amália e Mariquinhas Knaack. A Bíblia, o Catecismo de história sagrada e o “Progresso do Peregrino” de Bunyan, foram nossos textos.”[4]

Assim, começa o trabalho em português deste jovem missionário americano no Brasil destacando o fato de seu primeiro trabalho em português ser com crianças. Aos poucos Simonton recebe apoio de outros missionários e tem muitas conquistas neste país. Em pouco tempo, mas com muito trabalho, Simonton organiza a primeira igreja Presbiteriana no Brasil, no Rio de Janeiro em 12 de Janeiro de 1862. No dia 5 de novembro de 1864, Simonton publica, juntamente com outros amigos, o primeiro número do jornal Imprensa Evangélica. O primeiro jornal evangélico do Brasil e talvez da América Latina. [5]

[1] STADEN, Hans A verdadeira História. Rio de Janeiro: Dantes Livraria, 1999. Pg.120. Citado por MENDES, Marcel (org.) Simonton, 140 anos de Brasil São Paulo: Ed. Mackenzie pg.16.

[2] Ver  CARDOSO, Douglas Nassif Robert Reid Kalley   Edição do Autor, pg.39 Ver também MENDES, Marcel (org.) op. cit.  pg.36. COSTA, Hermisten Maia Pereira da Simonton, um homem dirigido por Deus São Paulo: Ed. Mackenzie. Pg.9

[3] COSTA, Hermisten Maia Pereira Simonton, um homem dirigido por Deus São Paulo: Ed. Mackenzie. Pg.16

[4] SIMONTON, A. Green O Diário de Simonton 1852 – 1866 São Paulo: Cultura Cristã, 2002 pg.140

[5] COSTA, Hermisten Maia Pereira op. cit.. Pg.47

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A Reforma para o século 21

A Reforma para o século 21 “Reforme a sua vida, reforme o mundo” – Uma reflexão sobre a Reforma Protestante do séc. XVI e suas implicações para o séc. XXI, sua relevância para o mundo contemporâneo e urgência para nossa espiritualidade.

Veja como a maior revolução social do mundo ocidental iniciou com uma revolução espiritual, fruto direto de uma compreensão mais clara da Palavra de Deus, as Sagradas Escrituras. A Reforma Protestante iniciou nos corações das pessoas, transformando as famílias, as igrejas, as cidades e nações inteiras. O seu impacto redefiniu a educação, a ciência, as artes, as relações sociais, trabalhistas e a economia. Moldou e marcou de forma profunda o mundo ocidental e seus efeitos reverberam até os dias de hoje.

500 Anos da Reforma (Programa para os Jovens)

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“OS JOVENS E A REFORMA: Os cinco séculos que mudaram o mundo.” Uma reflexão sobre a Reforma Protestante do séc. XVI e suas implicações para o séc. XXI, um movimento de grande relevância para o mundo contemporâneo, especialmente para os mais jovens. 

*18h00 – Workshop: “A Maior Revolução Cultural do Mundo” Uma breve perspectiva histórica deste movimento e seu impacto na sociedade em todos os seus aspectos: nas artes, na ciência, na educação e nos relacionamentos sociais e econômicos do mundo ocidental. (Teol. Edgard Casolli)
*19h00 – Coffee Break
*19h30 – Adoração e Louvor:
Mensagem: Samuel Tassi
Louvor: Grupo Essência
*21h00 – Encerramento e confraternização (Salão Social)
Entrada Franca (Para os jovens e para toda família)
Igreja Presbiteriana Vila Alpes http://ipvalpes.org/
Rua Domingos T. Mendonça, 1121 (Vila Alpes)

1a Palestra: Os Jovens e os 500 anos da Reforma (Pr Edgard)    

2a Palestra: Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15) Samuel Tassi     

Jovens Casais e a Arrebentação do Mar

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Na praia experimentamos o que chamamos de “arrebentação” nos primeiros metros do mar, conformes entramos na água. Neste perímetro o mar é mais agitado, mas depois que você avança para onde as ondas não quebram, ele é mais calmo. No casamento acontece algo muito parecido. Os primeiros anos são os mais difíceis, pois exigem adaptação, amadurecimento e sabemos que amadurecer dói. O casal tem que deixar pai e mãe, deixar de ser mimado, deixar de ser o príncipe e a princesa da casa para virar um homem e uma mulher de verdade. Fazer sexo não te faz homem nem mulher, agora casar e aguentar a arrebentação sim. Crescer dói e exige sacrifício dos dois lados. As vezes precisamos mudar hábitos arraigados por anos, para salvar a família e o casamento. Nesta hora descobrimos que a “vida a dois” não é um conto de fadas, não é um seriado de TV.

Há muitas razões que levam ao divórcio, mas muitos casais desistem nos primeiros anos e perdem o jogo logo no início, por pura falta de paciência. Muitos divórcios que acompanhei de casais mais jovens, poderiam ser evitados se fossem simplesmente mais pacientes. É necessário esperar a arrebentação passar e amadurecer com ela, pois só depois colhemos os frutos da estabilidade e maturidade conjugal. Jovem casal, saiba que ninguém mais que seu cônjuge será usado por Deus para o seu crescimento pessoal e espiritual. As vezes com os pais aprendemos o básico, a educação elementar, e por uma série de razões alguns pais nos “superprotegeram” e se ficássemos com eles nunca alcançaríamos a maturidade. Nestes casos, somente o casamento nos ensinará a ser um homem e uma mulher de verdade. Aproveite a oportunidade e deixe de ser criança, se torne logo um  adulto, para poder usufruir da bonança e estabilidade emocional que só quem é adulto, e sobreviveu a arrebentação, pode usufruir.

Velhos casais também enfrentam problemas, mas de outra categoria. Uma premiada jornalista, Jo Piazza, visitou 20 países pedindo conselhos a centenas de mulheres sobre como sobreviver a “arrebentação” dos primeiros anos na vida do casal. O resultado foi o livro How to Be Married: What I Learned from Real Women on Five Continents About Surviving My First (Really Hard) Year of Marriage (“Como viver o casamento: o que eu aprendi de mulheres reais dos cinco continentes sobre sobreviver ao meu primeiro (e realmente difícil) ano de casada”. Se você está vivendo este decisivo e importante período do casamento, seja bem vindo(a) ao “clube” pois pessoas do mundo inteiro sentem exatamente o que você está sentindo, ouçamos algumas de suas dicas:

  1. Dinamarca: deixe o telefone de lado e crie um lar aconchegante

O celular é um aparelho poderoso: pode receber mais atenção do que qualquer pessoa ao seu redor. Não foi uma surpresa, portanto, que em boa parte dos países ocidentais, Jo ouvisse esse conselho. Mas foi na Dinamarca que ela constatou uma decisão realmente firme a esse respeito por parte de homens e mulheres: “Quando você está com seu cônjuge, realmente tem que estar com seu cônjuge”, disseram a ela. Do país escandinavo, ela aprendeu ainda a palavra hygge, que significa algo como “a arte de criar um lar onde seja possível se sentir acolhido” – uma habilidade fundamental para um lar feliz.

  1. Índia: pratique a gratidão em seu relacionamento

Das mulheres que vivem em pequenos povoados ao longo do rio Brahmaputra, Jo aprendeu a nunca comparar o seu casamento com o de outros casais. Em vez disso, é preciso ser verdadeiramente grata por tudo de bom que o cônjuge faz e expressar com frequência essa gratidão. Já em Meghalaya, onde vive uma das poucas comunidades matriarcais do mundo, o conselho foi que todas as decisões sobre o dinheiro devem ser tomadas em conjunto, mesmo quando um dos cônjuges contribui mais que o outro para o orçamento familiar.

  1. Israel: cuide de você

“É fácil se perder em um casamento”, disseram a Jo várias judias ortodoxas que vivem em Jerusalém – mulheres fortes e destemidas, prontas para proteger a sua família em uma das regiões mais instáveis do mundo. “É fácil que, cuidando do marido e dos filhos, nos esqueçamos de cuidar de nós mesmas. Tome tempo para você e o casamento também será melhor para ele”. Esse cuidado pode vir de vários modos, segundo as sugestões das israelenses: “Faça um passeio sozinha, medite, tome um bom banho, prepare a sua comida favorita…

  1. Holanda: priorize a sua família como aquilo que é mais importante em sua vida

Na Holanda, Jo percebeu que as mulheres não permitem que suas carreiras interfiram em seus relacionamentos. A maioria das mulheres holandesas – 75% –, casadas ou não, optam por trabalhar a tempo parcial para ter mais tempo para seu casamento, seus filhos e seus interesses pessoais. Elas chamam essa opção de “decisão libertadora” – bem diferente de outros contextos em que isso seria julgado como uma concessão ao patriarcado.

  1. México: purifique-se de suas inseguranças

No México, Jo foi aconselhada a se libertar daquela pesada carga de inseguranças e traumas com a qual muitas vezes se chega ao casamento: se os seus pais se separaram, isso não significa que você vai se separar também, e se o seu primeiro namorado enganou você, não quer dizer que seu marido vai fazer o mesmo

      6. Quênia e Tanzânia: amplie o círculo de pessoas que estão dispostas a ajudar

Na África subsaariana, Jo esteve com as tribos Maasai e Samburu. Nessas tribos, as mulheres reconhecem que necessitam umas das outras para compartilhar as cargas da vida. Já no Ocidente, tendemos a nos isolar, formando “tribos de dois”, como escreve Jo. “É imperativo que ampliemos nossas tribos”, diz ela, ampliando o nosso círculo de amigos e fazendo crescer uma cultura mais relacional, em que procuremos ajudar mais uns aos outros na criação dos filhos.

Estes conselhos são úteis, mas nada disso terá força em um relacionamento onde não impera o amor. Um dos textos mais belos da Bíblia que celebra o amor é a passagem de 1a Coríntios 13. O texto inicialmente não foi dirigido para “namorados ou casais, mas certamente estes podem beber daqui os princípios básicos que devem orientar os relacionamentos”    Dr Augustus N. Lopes. Esta passagem foi uma carta direcionada para uma comunidade de pessoas que estavam se esfacelando, justamente por falta de amor. Este não é um problema muito atual nos casamentos e famílias modernas? Pois bem, o autor mostra a “Excelência do Amor” em três blocos: Só o amor que conta v1-3, Só o amor que triunfa v4-7, Só o amor que permanece v8-13. Desta forma, podemos desafiar os casais a viverem o amor maduro e duradouro que só uma caminhada a longo prazo pode proporcionar aos dois:

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. (1 Coríntios 13: 4-11)

Fonte: http://www.semprefamilia.com.br/como-viver-o-primeiro-ano-de-casamento-7-conselhos-de-varios-paises-do-mundo/

Para o Louvor da Sua Glória (Efésios 1)

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Para o Louvor da Sua Glória – “O Pai Elegeu, o Filho Redimiu e o Espírito Selou.” Efésios 1

  • 08/10 – O Pai Elegeu para o Louvor da Sua Glória
  • 15/10 – O Filho Redimiu para o Louvor da Sua Glória
  • 22/10 – O Espírito Selou para o Louvor da Sua Glória

“Ecclesia reformata et semper reformanda secundum verbum Dei”

A Igreja Reformada, sempre reformando de acordo com a Palavra de Deus” 

Este princípio regeu a Reforma Protestante do Século XVI e continua vivo e ativo nas igrejas herdeiras da Reforma. Precisamos revisar constantemente nossa fé e prática, se estão de acordo com a Palavra de Deus. A Glória de Deus depende deste exercício espiritual da igreja. Quando as principais doutrinas da Graça são distorcidas e centralizadas no homem, na ação do homem, no mérito do homem, na escolha do homem… Deus não é glorificado!

A Explosão Cambriana

Quando Charles Darwin escreveu A Origem das Espécies, os fósseis mais antigos conhecidos eram das camadas do Cambriano (período geológico que se iniciou há cerca de [supostos] 540 milhões de anos, de acordo com a datação radiométrica). Ele percebeu que o padrão fóssil do Cambriano não se adequava à sua teoria. “Para a pergunta por que nós não encontramos ricos depósitos fossilíferos pertencentes a esses períodos assumidos os mais antigos, antes do sistema Cambriano, eu não posso dar uma resposta satisfatória.” Por que o registro fóssil Cambriano foi um problema para Darwin? Porque se a evolução biológica ocorreu de um modo gradual e contínuo, então:

  • (1) poucas formas fósseis (baixa diversidade) deveriam ocorrer nas camadas inferiores do registro sedimentar ou coluna geológica,
  • (2) a diversidade deveria crescer em direção ao topo da coluna geológica (assim como o tempo),
  • (3) as formas mais antigas deveriam ser mais generalistas e simples (baixa especialização), não altamente especializadas,
  • (4) maior especialização deveria ocorrer nos organismos das camadas superiores,
  • (5) novas formas deveriam estar substituindo formas ancestrais com sinais de mudança gradual (organismos intermediários ou transicionais) e
  • (6) um ancestral comum deveria ser encontrado.

Darwin reconheceu a existência de uma “anomalia” no registro fóssil que representava um grande problema para sua teoria de evolução gradual a partir de um ancestral comum: o surgimento abrupto de formas de vida altamente complexas nas camadas basais do Cambriano. Seu aparecimento é tão abrupto que foi apelidado de a Explosão Cambriana.

Neste curto vídeo o renomado autor Lee Strobel entrevista alguns cientistas em busca de explicações para esta “anomalia”:

Fonte: Raúl Esperante, Geoscience Research Institute, Loma Linda, Califórnia; Para ler o artigo completo acesse: A Explosão Cambriana ou o “Big Bang” da vida?