A superação dos conflitos da existência

entenda-natal-2017-2Há muitas teorias que tratam dos nossos conflitos interiores, muitas vezes originados em relacionamentos familiares, especialmente com os pais. Quer nossos pais tenham sido opressores ou mesmo pais indiferentes, inegavelmente eles marcaram e determinaram quem somos e o que fazemos. A nossa necessidade de aceitação, aprovação, confirmação e muitas outras necessidades podem ter sua origem neste conflito da infância. A ciência do comportamento tem contribuído significativamente com o homem na superação destes conflitos.

No entanto, existe um nível mais profundo dos nossos conflitos, um nível que a tradicional ciência do comportamento não alcança, que eu chamo de “Conflitos da existência”. O campo da Metapsicologia (psicologia metafísica) tem respostas bem coerentes e consistentes. O ser humano é essencialmente um ser espiritual e Teo-referencial, ou seja, “Deus é o ponto de referência último de toda a realidade” (Cornelius Van Til). Como diz o Ph.D. Davi Charles Gomes, quando esta Teo-referência é negativa, ela revela o estado de apostasia do ser humano, pois mesmo não crendo em Deus, o homem crê em algo, coloca sua esperança em algo e faz deste algo seu ídolo de culto.

Assim, o relacionamento do homem com o seu Pai Espiritual define todos os seus demais relacionamentos, e enquanto ele não resolver seu problema com o seu criador, ele não conseguirá viver em harmonia com o seu EU, nem com seu MEIO (criação) e muito menos com o seu PRÓXIMO. Este rompimento da criatura com o criador trouxe traumas e complexos muitas vezes inconscientes. O ser humano vive em uma constante fuga, tem lutas e conflitos em seu interior, e não sabe realmente qual a origem e causa disso tudo. Vive em guerra e tem um comportamento destrutivo (do outro e do meio em que vive), mas principalmente auto-destrutivo, pois um ser Teo-referencial foi feito para adorar, e enquanto ele não adora a Deus, irá adorar qualquer outra coisa, pessoa ou até a si mesmo. Este comportamento é chamado de idolatria, ou seja, não adorar a Deus nos leva a criar “deuses pessoais”, ídolos que escravizam e corrompem. Com o tempo nos tornamos semelhantes ao que adoramos. Relacionamentos, por mais legítimos que sejam, quando são regidos pela idolatria eles se corrompem. Adorar pessoas, coisas, carreira, sucesso, conquistas, prazeres ou qualquer outra coisa que não seja Deus, pode ser uma experiência muito auto-destrutiva. Esta é a raiz de todas as mazelas da humanidade, da opressão e da violência, do egoismo e da indiferença que gera crises familiares, sociais e humanitárias. A insensatez e loucura humana que destrói ao outro, a natureza e a si mesmo tem sua origem mais profunda neste conflito interno e espiritual, um conflito existencial.

Alguém negará que é desta forma que caminha humanidade? Alguém negará que o homem está literalmente se autodestruindo enquanto tenta preencher seu vazio existencial, que não pode ser preenchido por nenhuma outra pessoa, conquista ou experiência? Somente com a restauração deste relacionamento Teo-referencial, o homem poderá encontrar novamente paz e sentido. Certamente não seremos mais felizes quando realizarmos todos os nossos sonhos e conquistas pessoais, por mais legítimos que sejam. A solução também não virá meramente com educação, conquistas sociais, saúde e bem estar, como muitos pregam, por mais importantes que estas coisas possam ser. Mas a solução para os conflitos mais profundos do homem, seus conflitos existenciais e que são gatilhos para outras mazelas da humanidade, só virá com a restauração da sua alma, o que só é possível com a  reconciliação da criatura com o  seu criador. Depois disso, com o tempo as demais coisas encontrarão o seu devido lugar. Enquanto isso não ocorre, o homem continuará com a sensação de ter saudades de um lugar ou de uma pessoa que ainda não conhece, com uma vida vazia de sentidos e vivendo sem um propósito superior. 

Além disso, um fato claramente observável é que a natureza humana simplesmente nega, rejeita e foge de Deus, por isso não o recebe e nem pode recebê-lo naturalmente. Por isso há no homem uma profunda e inevitável necessidade existencial de criar para si teorias, filosofias e ideologias, com o propósito de racionalizar e justificar esta negação da realidade patente, na tentativa patética e frustrada de superar este Conflito da existência humana.

Mas há uma boa notícia, sim todos os anos nos quatro cantos do mundo é anunciada esta boa notícia para toda a humanidade.  No período do Natal somos lembrados do convite do Pai das luzes para todos os homens e mulheres retornarem para casa, para a luz e lucidez espiritual dos filhos de Deus. Este convite está em vigor durante todo o ano mas é inegável que o Natal é um lembrete de que a promessa de Deus feita aos homens, desde os tempos mais remotos, se cumpriu diante de todos, dividindo a história do homem em antes e depois de Cristo, e dividindo a própria humanidade, entre os que aceitam e os que rejeitam este convite. Somos lembrados de que Deus, ao enviar Seu filho ao mundo como mediador e conciliador, nos deu a possibilidade de resolver o conflito de todos os conflitos, atingindo assim a raiz dos nossos problemas mais profundos e existenciais. Por isso lemos que Deus, sendo rico em misericórdia, nos dá o poder (gr. dinamus) de sermos gerados (gr. gennao) filhos de Deus, ao crermos e recebermos Seu filho Jesus que veio ao mundo. 

Esta sabedoria milenar nos ensina também que adorar a Deus, amar as pessoas e gostar das coisas é o segredo desta paz interior tão almejada pelo homem e por todas religiões do mundo. Esta paz com Deus que produz uma paz interior é condição para o equilíbrio com o exterior, o meio em que vivemos. Neste sentido, desejo que você encontre o sentido deste convite e receba esta graça para superar os conflitos mais profundos de sua alma: restauração e reconciliação com o seu Pai Eterno e Criador, e consequentemente com você mesmo, com o outro e com o meio em que você vive. 

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1:12-14

Sugestão de leitura:  A METAPSICOLOGIA VANTILIANA: UMA INCURSÃO PRELIMINAR (VOLUME XI) POR DAVI CHARLES GOMES

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Credo Natalino (Isaías 9)

Credo inspirado no livro do profeta Isaías 9:6 “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”

  • Cremos que, quando o mundo descobrir o menino que nasceu e crer nele, tudo será maravilhoso.
  • Cremos que o seu amor transforma e renova o mundo. Por isso, queremos agir em justiça e paz, esperança e fé – e, sobretudo, em amor.
  • Cremos que ele nos fortalece para a peleja a partir de seu presente de Natal: Jesus. Porque Ele é Deus Forte.
  • Cremos que ele nos dá a vida eterna, porque é o Pai da Eternidade.
  • Cremos que, nele, teremos paz, porque ele quer a paz e é o Príncipe da Paz. Amém.

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Próxima Edição do Papo no Sofá!

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No sábado dia 09/12/2017 teremos a próxima edição do nosso programa “Papo no Sofá”. Um programa interativo, transmitido online, com a participação e interação tanto para os presentes como pela internet. Nesta edição você poderá nos ajudar a escolher o tema.  Segue o link de uma enquete, acesse e escolha o tema em 30 segundos! Depois participe  online assistindo ao vivo na página do Facebook da Igreja ou pessoalmente na Igreja Presbiteriana Vila Alpes – Rua Domingos T. Mendonça, 1121 Vila Alpes – São Carlos.

ESCOLHA O TEMA NA ENQUETE 

Esboço de um breve discurso aos formandos do Exército Brasileiro

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A convite do Exército Brasileiro, o pastor Edgard esteve falando aos jovens formandos no dia 24/11/2017

“A sorte é quando a preparação encontra a oportunidade” Dwight Eisenhower

Depois de quase um ano de serviço, hoje vai ser o último dia com esta farda. Servir no Exército é uma forma que a nação tem de preparar jovens combatentes para uma possível batalha, que muito provavelmente nunca acontecerá, assim esperamos. Mas certamente é uma forma de preparar jovens combatentes para a “batalha da vida”. Ainda que, como disse Rui Barbosa: “O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado.”

Na batalha da vida, vocês terão muitos desafios pela frente: Estudar, se formar, seguir uma vocação, arranjar um emprego, formar uma família, sobreviver neste mundo cada vez mais violento, com todos os seus valores invertidos, um mundo sem misericórdia e entregue a corrupção. Como disse Eisenhower, a sorte só acontece quando vocês estiverem preparados para as oportunidades que surgirem. Por isso, preparem-se, pois quando a oportunidade aparecer estarão aptos para agarrá-la!

Para o sucesso nesta batalha da vida, vocês precisarão de oração e trabalho! Sirvo-me do discurso de Rui Barbosa “Oração aos Moços” proferida aos formandos de 1920 na Faculdade de Direito do Largo São Francisco – USP.

Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo sublimar−se d’alma pelo contacto com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua de cada um sobre si mesmo e sobre o mundo onde labutamos. O indivíduo que trabalha, acerca−se continuamente do autor de todas as coisas, tomando na sua obra uma parte, de que depende também a dele. O criador começa, e a criatura acaba, a criação de si própria. Quem quer, pois, que trabalhe, está em oração ao Senhor. Oração pelos atos, ela emparelha com a oração pelo culto. Nem pode ser que uma ande verdadeiramente sem a outra. Não é trabalho digno de tal nome o do mau; porque a malícia do trabalhador o conta− mina. Não é oração aceitável a do ocioso; porque a ociosidade a dessagra. Mas, quando o trabalho se junta à oração, e a oração com o trabalho, a segunda criação do homem, a criação do homem pelo homem, semelha às vezes, em maravilhas, à criação do homem pelo divino Criador.”

Nesta batalha da vida, vocês irão precisar de oração e trabalho, muita garra e determinação para vencer, mas no afã de vencer a batalha da vida muitos se perderam, por isso nunca se esqueçam do autocontrole e do domínio próprio. Para isso guardem este provérbio do sábio Salomão:

“Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o espírito do que conquistar uma cidade” (Provérbios 16:32)

Duas palavras destacam-se neste verso: Paciência e Controle. PACIÊNCIA: pressupõe persistência, perseverança, fé. CONTROLE: É uma das grandes virtudes, pois pressupõe domínio próprio, autocontrole, mansidão (mansidão não é fraqueza, mas controle da força). A pior derrota é quando perdemos para nós mesmos por falta de paciência e autocontrole!

Por fim, nesta batalha da vida, quando você for abatido e pensar em desistir, quando você não tiver mais forças para continuar, você vai precisar de humildade, pois ela será necessária para pedir ajuda, levantar e continuar novamente. Digo humildade no sentido oposto ao orgulho ignorante. Humildade nos capacita a pedir ajuda para os colegas, pais, mestres, para quem tem mais experiência, mas principalmente para Deus que sempre nos oferece ajuda. Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:28-30)

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Rev. Edgard Casolli Neto e Subtenente Fernandes

A ESPIRITUALIDADE E O CUIDADO COM OS ANIMAIS

A-humanização-do-comportamento-dos-animais-domésticos3.pngA “humanização dos animais” é uma tendencia atual, o que não é bom nem para o próprio animal, dirá para os humanos. Tira a identidade do animal, a liderança e autoridade do homem sobre ele, o que o faria se sentir cuidado e protegido.
Em São Paulo, por exemplo, desde 2004 já há mais Pet shops do que farmácias, nada contra o Pet shop, mas isso mostra o desequilíbrio que vivemos. O resultado está aí diante de todos, pois no tempo das vacas gordas do brasileiro o comércio de animais cresceu descontroladamente, (já somos o 4o país em número de animais domésticos e o 2o em número de cães) mas com a crise eles passaram a ser abandonados, (o aumento foi de 70%) e hoje são cerca de 30 milhões nas ruas do país, e vai aumentar. Este é o resultado do desequilíbrio: o descarte e maus tratos com os animais. De quase humanos, hoje tornaram-se menos do que animais!
Tudo no seu devido lugar. Igualar a vida animal com a vida humana é um erro grosseiro que no fim prejudicou o próprio animal. O homem é a única criatura feita à imagem de Deus e seu valor reside nisso. Devemos, no entanto, respeitar e cuidar do restante da criação.
Os primeiros humanos na terra foram incumbidos de cuidar dos animais e até de dar nomes a eles. No dilúvio, “Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais selvagens e rebanhos domésticos que estavam com ele na arca…” (Gênesis 8:1).
A Bíblia é repleta de exortações a respeito dos animais:
  • “Se você vir o jumento de alguém que o odeia caído sob o peso de sua carga, não o abandone, procure ajudá-lo” (Êxodo 23:5).
  • “Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta” (Lucas 12:24) e
  • “os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento” (Salmo 104:21).

Por fim, nossa espiritualidade se revela no cuidado com os animais, nem “quase-humanos” e nem “sub-animais”, como lemos:

  • “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel”.(Provérbios 12:10)

Adore a Deus, ame as pessoas e

respeite os animais, como animais!

Veja as consequências de se humanizar os animais em um site sobre animais. Não é pecado colocar fita no animal, um tecido para aquecer no frio… não é isso. É uma mentalidade crescente que prejudica o animal. Veja este artigo: https://meusanimais.com.br/as-consequencias-humanizar-os-animais-estimacao/#